domingo, 19 de setembro de 2010

A imaginação educadora

Gabriel Perissé

Ficamos perplexos todas as vezes que percebemos a discrepância entre o desejado e o realizado, a distância entre o céu das ideias e o "x" da realidade.
É desanimador, no campo da educação, conhecer as boas intenções pedagógicas, a generosidade das teorias libertadoras, e, por outra parte, viver uma constante "volta as jaulas", a sensação de que estamos na sala de aula com mãos e pés atados.
A didática que reencanta a escola, a avaliação inteligente, a vitória da criatividade sobre a burocracia, a educação verdadeiramente inclusiva, a ética e a estética comandando a ação docente, as mil e uma estratégias para despertar o interesse de cada aluno... tudo isso ocupa as paginas dos livros e revistas, e dessas paginas não sai.
E não saímos nos da perplexidade. Lemos que uma avaliação que exige respostas rígidas nada avalia. E são respostas rígidas o que nos pedem em concursos públicos para professores.
Aprendemos que o importante é aprender a aprender... e depois aprendemos, a duras penas, que continuamos a praticar o instrucionismo, o adestramento, cobrando dos alunos que se atenham aquilo que o seu mestre mandou.
Ouvimos em palestras e em cursos de formação que estamos na Idade Midia, que devemos estar plugados e conectados, porque conectados e plugados estão os alunos. Que devemos ser professores digitais porque os alunos estão nascendo com cabeças digitais... e, na prática, do pó de giz viemos e ao pó de giz retornaremos!
Depois de um carnaval cheio de sonhos, rasgamos a fantasia e voltamos a viver o calvário da escola sem graça. Quando ressuscitaremos?

Uma jovem poeta paraibana, Iasmin Mendes, cujo livro Somente poesia (2008) ganhei de presente, ajudou-me a vislumbrar uma resposta para esse abismo entre mundo ideal e cotidiano real. Tinha 11 anos de idade quando escreveu esses versos, do seu poema
"Imaginação":
As vezes você se pergunta: "O que fazer quando a realidade boa não está?" E eu respondo rapidamente "Basta você imaginar"
[...]
A imaginação não é uma mentira Mas para a realidade uma solução Nossa realidade melhora quando usamos a imaginação
Então continue usando tua imaginação, pois ela sempre lhe leva Ao caminho da razão
A imaginação educadora preenche o abismo, a discrepância. Não é sonho vazio, é trabalho racional, é auxiliar do pensamento, amiga da lógica. Quando imaginamos com realismo, descobrimos formas de transformar nossa realidade.
Imaginar e projetar. Projetar-se é lançar-se a frente, adiantar-se, dirigir-se para o futuro, administrando as tensões entre a utopia e o dia a dia.

Artigo publicado na revista Profissão Mestre de abril de 2010.

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