terça-feira, 22 de outubro de 2013
Como a família pode contribuir para o processo de alfabetização dos filhos.
Infelizmente, para muitas famílias, a vida escolar do filho só começa quando ele entra na sala de alfabetização, desprezando toda a vivência da criança antes desse período.
Também, muitas vezes, os familiares acreditam que esse trabalho só deve acontecer e ser de responsabilidade da escola, porém algumas escolas até com a intenção de "poupar" os pais, assumem essa "tarefa" sozinhos. Não é bem assim! O processo de alfabetização não é fácil e requer muito trabalho e empenho de todos os envolvidos. Ele engloba muitos aspectos que dizem respeito não só à maturidade cognitiva, mas também à maturidade emocional do aprendente, sendo um processo que se iniciou anos antes do 1º ano do ensino fundamental e não terminará completamente nesta ano. A participação da família durante todo esse período é fundamental.
Em todo o processo de alfabetização é muito importante que a família participe de forma espontânea e não somente nas lições de casa com o objetivo de que a criança leia e escreva.
O “exercício” da escrita e leitura se faz, muitas vezes, de forma não sistematizada, por isso a família tem um papel estratégico. Como diz psicolinguista Argentina Emília Ferreiro: “...permite-se e estimula-se que a criança tenha interação com a língua escrita nos mais variados contextos.”
Segue algumas dicas para os pais que desejam compartilhar com os filhos esse processo.
• Proporcione fora do contexto escolar, situações de leitura e escrita, optando por textos e livros mais simples, curtos e de fácil entendimento. Podem também ser textos escritos pela própria criança ou pelo adulto. Incentive-o a confeccionar listas de supermercado, bilhetes, agendas, diários, entre outros.
• Tire as dúvidas, leia e escreva as palavras que a criança não conseguir ler ou escrever, mas de forma lúdica,lembre-se a criança aprende com o erro, desde que ela perceba e participe da correção.
• Se perceber que seu filho está com muitas dificuldades, reveze a escrita e a leitura com ele. Leia uma página e ele outra. Uma dica interessante é utilizar a revista em quadrinhos para que cada um assuma um personagem e estabeleça um diálogo através da leitura.
• É comum, nesse momento, que algumas crianças ainda utilizem variados tipos de letras na hora de escrever, pois eles podem estar experimentando ou mesmo buscando a que acha mais “fácil”, recursos que devem ser respeitados e direcionados de forma coerente e tranquila. Aos poucos, com intervenções e sinalizações positivas e se sentindo mais seguras, possivelmente essas crianças irão definir o padrão de letra.
• Demonstre motivação, paciência e interesse pelo que a criança está escrevendo e lendo.Reserve um tempo e disponibilidade para acompanhar as tarefas de seu filho.
• Estabeleça horários e locais adequados para as tarefas de casa e para as atividades de “letramento”, este horário não pode concorrer com a programação de TV predileta da criança ou o videogame ou o irmão mais novo, pois isso não há motivação que resista, não podemos esquecer que a criança tem que encontrar prazer nesse momento e não apenas "cumprir tarefa".
• Se a criança demonstrar desinteresse pelo convite à escrita e leitura, não desista. Busque momentos propicio dentro do contexto cotidiano da criança, de forma natural e que resulte no exercício da leitura e a escrita.
• Visite bibliotecas e livrarias com a criança e exercite com ela a escolha de títulos. Busque conhecer as preferências literárias para melhor envolve-la neste momento.
• Comente sobre as suas experiências de leitura nesta fase faça indicação, mas lembre não imponha o livro que você acredita ser necessário, pois o tiro pode sair pela culatra.
• Não deixe de fazer a leitura dos livros enviados pela escola e de outros títulos que você oportunizar a ele.
• Ao final da leitura de um livro ou texto, comente sua opinião sobre o que foi lido e pergunte o que ele achou, que parte mais gostou, se indicaria para outra pessoa, entre outros. Isso é fazer a criança perceber a “função social da leitura e da escrita”.
• A motivação é o que impulsiona o desejo de aprender,a criança deve ser elogiada a cada avanço e conquista, afinal, a apropriação da escrita e da leitura não é fácil assim.
• É comum que os pais tenham dúvidas sobre o processo. Se isso acontecer, busque a escola e a equipe pedagógica da instituição em que seu filho estuda.
• Divirta-se e se emocione com este momento pois é um momento mágico e que é tão ímpar que jamais serão esquecidos, e lembre - se a família é a responsável pelo desenvolvimento do hábito ou melhor do prazer a leitura, ninguém pode praticar aquilo que não foi aprendido, vivenciado. O EXEMPLO É TUDO.
SILVANA ABRAHÃO
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
VIVENDO VALORES NA EDUCAÇÃO
CAIXINHA DE VALORES INTRODUÇÃO
Os valores são os nutrientes da alma humana. Um ser orientado pelos valores adquiridos é uma pessoa segura, com auto respeito e dignidade. Os valores trazem força possibilitam a remoção das fraquezas e defeitos. Eles abrem o coração e transformam a natureza humana, de forma que a vida é preenchida com compaixão e humildade, à medida que desenvolvemos valores dentro do eu compartilhamos a fragrância deles com o mundo ao nosso redor e desse modo avançamos em direção para um mundo melhor.
VIVENDO VALORES NA EDUCAÇÃO é um programa educativo internacional, hoje aplicado em 76 países. No Brasil é coordenada pela Organização Brahma Kumaris. Seu objetivo é oferecer recursos para o desenvolvimento integral da pessoa, reconhecendo sua dimensão física, intelectual e emocional.
Caixinha de valores
É um jogo de cartas que deve ser apresentado para as crianças de maneira especial, algo que irá mudar e melhorar as suas vidas, resgatando os valores transmitidos pela família e aperfeiçoá-lo através da prática de convivência. Antes da apresentação da caixa deve ser feito uma introdução sobre valores. A caixa não deve ser algo comum, personifica-la como um baú de tesouro é uma maneira de torna-la atrativa e significativa, já que as crianças gostam desses mistérios. É essencial a orientação para que as crianças tenham zelo com a caixa e se necessário colocar um nome na caixa, tudo isso vai legitimar esse aprendizado.
São várias as opções de trabalho com a caixinha uma delas é utiliza-la na resolução de conflitos, quando as crianças entre si se encontrarem em uma situação difícil, um valor pode ser tirado aleatoriamente, e apontado como dica da solução do problema. É importante explicar para as crianças que os valores são uma força que existe dentro de nós e que pode nos ajudar quando precisamos.
A caixinha pode ser utilizada em exercício diário, semanal, nas aulas de educação física, artes, atividade dentro da sala de aula, jogos em grupo, jogo da memória e outros.
A caixinha pode ser utilizada pela família, na refeição, ao acordar e antes de dormir e em momentos que possa envolver toda a família.
As caixinhas e as estratégias são apresentadas nas oficinas:
• Relacionamento Professor / Aluno
• Estratégias Diferenciadas de Aprendizagem
Silvana Abrahão
Os valores são os nutrientes da alma humana. Um ser orientado pelos valores adquiridos é uma pessoa segura, com auto respeito e dignidade. Os valores trazem força possibilitam a remoção das fraquezas e defeitos. Eles abrem o coração e transformam a natureza humana, de forma que a vida é preenchida com compaixão e humildade, à medida que desenvolvemos valores dentro do eu compartilhamos a fragrância deles com o mundo ao nosso redor e desse modo avançamos em direção para um mundo melhor.
VIVENDO VALORES NA EDUCAÇÃO é um programa educativo internacional, hoje aplicado em 76 países. No Brasil é coordenada pela Organização Brahma Kumaris. Seu objetivo é oferecer recursos para o desenvolvimento integral da pessoa, reconhecendo sua dimensão física, intelectual e emocional.
Caixinha de valores
É um jogo de cartas que deve ser apresentado para as crianças de maneira especial, algo que irá mudar e melhorar as suas vidas, resgatando os valores transmitidos pela família e aperfeiçoá-lo através da prática de convivência. Antes da apresentação da caixa deve ser feito uma introdução sobre valores. A caixa não deve ser algo comum, personifica-la como um baú de tesouro é uma maneira de torna-la atrativa e significativa, já que as crianças gostam desses mistérios. É essencial a orientação para que as crianças tenham zelo com a caixa e se necessário colocar um nome na caixa, tudo isso vai legitimar esse aprendizado.
São várias as opções de trabalho com a caixinha uma delas é utiliza-la na resolução de conflitos, quando as crianças entre si se encontrarem em uma situação difícil, um valor pode ser tirado aleatoriamente, e apontado como dica da solução do problema. É importante explicar para as crianças que os valores são uma força que existe dentro de nós e que pode nos ajudar quando precisamos.
A caixinha pode ser utilizada em exercício diário, semanal, nas aulas de educação física, artes, atividade dentro da sala de aula, jogos em grupo, jogo da memória e outros.
A caixinha pode ser utilizada pela família, na refeição, ao acordar e antes de dormir e em momentos que possa envolver toda a família.
As caixinhas e as estratégias são apresentadas nas oficinas:
• Relacionamento Professor / Aluno
• Estratégias Diferenciadas de Aprendizagem
Silvana Abrahão
domingo, 1 de setembro de 2013
PROJETO SACOLA LITERÁRIA
APRESENTAÇÃO:
O projeto enfoca o ato de ler como ponto de partida para a construção do pensamento lógico, com isso possibilita a capacitação do aluno em construir suas relações diante do mundo.
Trata-se de um projeto de prática de leitura em que os alunos levarão para casa uma sacola contendo alguns livros de histórias infantis e vários gêneros (poesias, contos, lendas, crônicas, gibis, romance, jornais, revistas e bula de remédio) e um caderno de registro, e terão que registrar e recontar o que leram usando escrita, colagem, desenhos e tudo que a imaginação permitir. Em sala de aula cada aluno irá apresentar o seu reconto aos colegas. Depois cada aluno apresentará sua criação aos colegas.
JUSTIFICATIVA
Este projeto nasceu com a necessidade de incentivar o hábito da leitura nos educandos e o compartilhamento desta prática com a família, afim de multiplicar o número de cidadãos leitores. Partindo do ponto que o indivíduo aprende com o meio e que o aprendizado transforma o comportamento. Esta proposta vem oportunizar o aprendizado.
A prática da leitura tem que ser incentivada não só na escola mas no cotidiano da criança tem que estar inserida de forma natural, tem que ser oferecido materiais diversificados para possibilitar ao leitor a escolha do estilo que lhe agrada e também materiais que ele seja capaz de reconhecer que a leitura traz informações e através dela podemos solucionar problemas.
Essa concepção de formação de leitor é prazerosa e desenvolve crianças autônomas capazes de escolher o seu estilo e explorar as informações que o mundo letrado proporciona.
PÚBLICO ALVO:
Todos os alunos do Ensino Fundamental(1º ao 5º ano)
OBJETIVO
• Proporcionar situações de leitura compartilhada com a família dos educandos
• Aproximar os educandos do universo e dos portadores de escrita ( livros, revistas, etc) para que eles possam manusear , reparar na beleza das imagens, relacionar texto e ilustração, manifestar sentimentos, experiências ideias e opiniões, definindo preferências e construindo critérios próprios para selecionar o que vão ler.
• Fazer com que construam o hábito de ler, ouvir e sentir prazer nas situações que envolvam a leitura.
• Familiariza- los com histórias e ampliar seus repertórios, na participação em situação de conto e leitura de histórias.
METODOLOGIA BÁSICA:
Entre inúmeras formas de trabalhar com a sacola, sugiro que cada aluno leve para casa a sacola e fique por uma semana. O aluno deverá ler um ou mais livro e outros materiais da sacola e depois fazer um registro no caderno de leitura, que poderá ser através da escrita, de desenhos, montagem, colagem ou alguma outra forma criativa que ele preferir. Depois, na sala de aula, o aluno poderá apresentar para os colegas o livro que leu e o seu registro.
CRONOGRAMA:
Durante o ano letivo.
AVALIAÇÃO
Ocorrerá durante todo o processo, a partir da observação direta das atitudes do aluno leitor no seu cotidiano, e da avaliação de leitura e interpretação de texto do aluno, no seu dia a dia.
Este projeto é desenvolvido na oficina de leitura e escrita, é trabalhado todos os passos, desde a criação da sacola até a avaliação.
Silvana Abrahão
O projeto enfoca o ato de ler como ponto de partida para a construção do pensamento lógico, com isso possibilita a capacitação do aluno em construir suas relações diante do mundo.
Trata-se de um projeto de prática de leitura em que os alunos levarão para casa uma sacola contendo alguns livros de histórias infantis e vários gêneros (poesias, contos, lendas, crônicas, gibis, romance, jornais, revistas e bula de remédio) e um caderno de registro, e terão que registrar e recontar o que leram usando escrita, colagem, desenhos e tudo que a imaginação permitir. Em sala de aula cada aluno irá apresentar o seu reconto aos colegas. Depois cada aluno apresentará sua criação aos colegas.
JUSTIFICATIVA
Este projeto nasceu com a necessidade de incentivar o hábito da leitura nos educandos e o compartilhamento desta prática com a família, afim de multiplicar o número de cidadãos leitores. Partindo do ponto que o indivíduo aprende com o meio e que o aprendizado transforma o comportamento. Esta proposta vem oportunizar o aprendizado.
A prática da leitura tem que ser incentivada não só na escola mas no cotidiano da criança tem que estar inserida de forma natural, tem que ser oferecido materiais diversificados para possibilitar ao leitor a escolha do estilo que lhe agrada e também materiais que ele seja capaz de reconhecer que a leitura traz informações e através dela podemos solucionar problemas.
Essa concepção de formação de leitor é prazerosa e desenvolve crianças autônomas capazes de escolher o seu estilo e explorar as informações que o mundo letrado proporciona.
PÚBLICO ALVO:
Todos os alunos do Ensino Fundamental(1º ao 5º ano)
OBJETIVO
• Proporcionar situações de leitura compartilhada com a família dos educandos
• Aproximar os educandos do universo e dos portadores de escrita ( livros, revistas, etc) para que eles possam manusear , reparar na beleza das imagens, relacionar texto e ilustração, manifestar sentimentos, experiências ideias e opiniões, definindo preferências e construindo critérios próprios para selecionar o que vão ler.
• Fazer com que construam o hábito de ler, ouvir e sentir prazer nas situações que envolvam a leitura.
• Familiariza- los com histórias e ampliar seus repertórios, na participação em situação de conto e leitura de histórias.
METODOLOGIA BÁSICA:
Entre inúmeras formas de trabalhar com a sacola, sugiro que cada aluno leve para casa a sacola e fique por uma semana. O aluno deverá ler um ou mais livro e outros materiais da sacola e depois fazer um registro no caderno de leitura, que poderá ser através da escrita, de desenhos, montagem, colagem ou alguma outra forma criativa que ele preferir. Depois, na sala de aula, o aluno poderá apresentar para os colegas o livro que leu e o seu registro.
CRONOGRAMA:
Durante o ano letivo.
AVALIAÇÃO
Ocorrerá durante todo o processo, a partir da observação direta das atitudes do aluno leitor no seu cotidiano, e da avaliação de leitura e interpretação de texto do aluno, no seu dia a dia.
Este projeto é desenvolvido na oficina de leitura e escrita, é trabalhado todos os passos, desde a criação da sacola até a avaliação.
Silvana Abrahão
terça-feira, 6 de agosto de 2013
DIA DOS PAIS - Cinco dicas para ser um pai mais presente
O que os pais podem fazer para aumentar a sua participação na vida dos filhos? Entrevistamos três especialistas para responder a essa pergunta.
"Na brincadeira, o pai tem uma excelente oportunidade de conhecer seu filho", explica Cristiano Gomes, professor da Faculdade de Psicologia da UFMG
O Dia dos Pais está chegando e, com ele, uma boa oportunidade de repensar opapel do pai na vida e na Educação dos filhos. A verdade é que pai e mãe não precisam ser iguais. Cada um ocupa um lugar na diferente na vida da criança - e não há nada de errado nisso. Mas qual é o lugar que ele, pai, ocupa hoje na função de educar? Se ele não é muito presente, o que pode fazer para aumentar a sua participação na vida dos filhos?
O Educar para Crescer entrevistou três especialistas para falar sobre o assunto: a professora da Faculdade de Educação da UFMG Maria Inês Goulart; o professor da Faculdade de Psicologia, também da UFMG, Cristiano Gomes, e o mestre em Educação pela PUC-Minas Joaquim Ramos.
Para eles, o papel do pai não cabe mais dentro de ideias rígidas, como aquela de que é o provedor da casa e se movimenta no mundo do trabalho enquanto a mãe cuida do ambiente da casa e da Educação dos filhos. Segundo Maria Inês Goulart, "o homem hoje não pode pensar em como pode contribuir na educação dos filhos porque esse é o seu papel principal como pai", e não majoritariamente uma função materna. Cristiano Gomes concorda com ela quando diz que "é preciso repensar os papéis". Segundo ele, os homens não aceitam mais ser encaixados nesse lugar estereotipado da função da figura masculina na família "porque viram o quanto estavam perdendo no contato com os filhos e no prazer da paternidade". Para Joaquim Ramos, isso acontece também porque "a Educação é uma tarefa que precisa ser socializada. Todo mundo se educa numa família, e inclusive as crianças educam seus pais", reitera.
Maria Inês destaca ainda que o pai não precisa imitar a mãe. "O pai é diferente da mãe e não precisa educar o filho do mesmo jeito da mãe, mas sim do jeito dele. As brincadeiras são diferentes, as formas de educar são diferentes, a linguagem é diferente. A criança nasce de dois seres humanos que não são iguais, então, nasce da diferença - é a diferença que cria a vida. E é com ela que a criança tem que estar em contato o tempo inteiro."
Leia a seguir cinco dicas para pais que querem assumir plenamente seu papel na vida e na Educação dos filhos.
1. "Faça o que eu digo - e também o que eu faço"
É aquela velha - mas não antiquada - ideia de que uma pessoa aprende e é educada através do exemplo. Como resume Joaquim Ramos, mestre em Educação pela PUC-Minas: "Uma criança aprende coisas boas e úteis tanto quanto ruins e destrutivas dependendo do exemplo que presencia e do ambiente em que vive".
2. Reserve tempo para brincar
A brincadeira é essencial na formação da criança, dentro e fora da escola, pois está diretamente associada ao crescimento e ao desenvolvimento infantil. "Na brincadeira, o pai tem uma excelente oportunidade de conhecer seu filho. Saber se ele é mais impulsivo, mais paciente, mais reflexivo, como ele reage ao perder e ganhar, como ele pensa diante de um desafio", explica Cristiano Gomes, professor da Faculdade de Psicologia da UFMG.
3. Seja presente e disponível
"Não é tanto o que você faz, não é a ação em si o mais importante, mas sim o dizer estou aqui para você. É preciso escutar a criança, considerar o que ela diz. Acontece muito de os pais fazerem demais, mas, quando o filho realmente precisa, eles estão sempre ocupados, nunca podem atendê-lo", diz a professora da Faculdade de Educação da UFMG Maria Inês Goulart. Isto se torna mais natural quando os pais veem a criança como alguém potente, pleno, e não como alguém que ainda vai ser algo, um ser incompleto. "É preciso entender que as crianças estão sempre na tentativa de dar um sentido e significado para suas vidas."
4. Dê espaço ao diálogo e à diferença
Dialogar é importante não apenas na relação entre pais e filhos, mas também entre o casal. Em casa, é bom que o pai tenha a mesma autoridade que a mãe. "A imposição de regras não deve ser exclusivamente responsabilidade do pai. Isso é um resquício de uma cultura patriarcal que coloca a mulher como submissa e inferior ao homem", diz Cristiano Gomes, professor da Faculdade de Psicologia da UFMG. Joaquim Ramos concorda com ele quando diz que "se o pai dá uma ordem e a mãe dá outra, a criança fica entre os dois sem saber a quem obedecer. Deve haver espaço para a interlocução e para a diferença na esfera familiar - senão não se educa, se confunde".
5. Demonstre carinho por seu filho
É função tanto do pai quanto da mãe dar espaço ao contato corporal, ao carinho, ao abraço, ao beijo, ao toque, demonstrar o afeto e o amor, dizer que está disponível e criar um ambiente gostoso em casa. "A forma com que os pais fazem isso pode ser diferente, mas precisa ser valorizada", diz a professora da Faculdade de Educação da UFMG Maria Inês Goulart. Cristiano Gomes acrescenta: "A diferença do toque é legal, a ausência dele é que é ruim. Assim, o filho pode ter a experiência de dois tipos de toque ao invés de apenas um. Estabelecer contato físico é papel do pai e da mãe"
Texto Meghie Rodrigues
Educar
terça-feira, 23 de julho de 2013
Era Android
Durante uma oficina de brinquedos no SESC Santana, observei o quanto as crianças estão diferentes.
A proposta era fazer um pião de jornal, algo simples mas que requeria muita paciência e observei já no início que eles não tinham muita intimidade com o papel, inclusive o jornal.
O primeiro passo era enrolar o jornal de maneira que ficasse um tubo mas para dar certo teria que seguir a mesma medida o tempo todo, aí é que foi o desfio, as crianças que variavam a idade de 05 aos 9 anos, tiveram muita dificuldade e perderam a paciência varias vezes, mas foram até o final.
Enrolaram, colaram as extremidades, enrolaram no palito e passaram cola, a criançada participou, mas percebi a ansiedade delas terminarem rápido e brincar .
Diante de tudo isso, refleti o tanto que essas crianças estão crescendo numa era onde tudo é pronto, onde as brincadeiras mais simples se tornaram em brinquedos industrializados que a criança basta apertar o botão e começa a brincadeira, O simples ato de fazer bolhinhas de sabão com água, detergente e canudinho, já existe brinquedo que você liga e o “elefantinho” solta as bolhas. E as brincadeiras de pular corda ? Foram substituídas por bolsinhas de maquiagem e esmaltes, bem mais isso já é outra história.
As crianças não se motivam em construir os brinquedos, tudo ficou tão digital... que usar dobradura, réguas e outros materiais para construção tornou –se algo enfadonho, sem jeito, hoje a maioria das crianças apresentam dificuldade para manipular esses materiais , pois encontram tudo pronto e a satisfação dos seus desejos é imediata, isto faz com que ela rapidamente procure outra brincadeira para obter mais satisfação. Esta busca constante de satisfação prazer leva a criança a não ter paciência e gera a ansiedade pela busca do novo a todo momento.
E assim é possível explicar a “febre” dos vídeos games e dos jogos na internet , eles são rápidos tem o ganhar imediato e a troca de desafio a todo momento.
Mas não podemos perder de vista que, a humanidade já passou por estas transformações onde tudo era artesanal e de repente veio a indústrialização e foi preciso aprender a manipular a máquina e se especializar, houve resistência sim, mas a industrialização está na nossa vida e é imprescindível para a nossa sobrevivência, veio a era da tecnologia o mito que o computador ia pegar o lugar do homem e outra vez a resistência e hoje não vivemos sem ela . Mas isso reduziu a capacidade de criar, de fazer, do brincar, experimentar o mundo sem ser pela internet. Tudo está muito pronto, pouco precisamos pensar, encontramos tudo no Google, esperar nem pensar...
As crianças estão na Era Android
Silvana Abrahão
domingo, 21 de julho de 2013
Homeschooling, bem ou mal????
Fora da escola, dentro de casa
Autor(es): Leonardo Vieira - O Globo - 08/07/2013
Polêmico projeto de lei a favor do ensino domiciliar tem oposição do MEC; grupo de pais defende prática
Doce lar. Escritora de livros infantis, Flávia Beck defende o ensino domiciliar dos filhos Rafael, de 6 anos, e Gabriela, de 10: "Achamos que as escolas aqui são fracas", diz ela.
Desafio. Portador de necessidades especiais, Arthur, de 8 anos, aprende a contar com sua mãe, Consuelo Martin
A rotina de estudos começa cedo para os irmãos Rafael, de 6 anos, e Gabriela, de 10. A dupla mal acorda e já está em aula, às 8h, aprendendo lições de disciplinas como Português, História e Geografia. Na parte da tarde, Gabriela se concentra em aulas de música, enquanto o caçula prefere praticar seu traço com desenhos. A rotina descrita poderia se passar numa escola, mas acontece no apartamento em Jacarepaguá onde moram as crianças, que estão sendo educadas pelos pais, Flávia e Tom Beck. Rafael e Gabriela não estão matriculadas num colégio.
- Achamos que essa forma de ensino é mais eficaz que uma escola, e trabalhamos a autoestima deles. Que colégios oferecem um psicólogo apenas para isso? - argumenta o pai, Tom, filósofo e professor de português e inglês.
Eles não estão sozinhos, mas são uma minoria. De acordo com a Associação Nacional de Ensino Domiciliar (Aned), há 800 famílias no país declaradamente adeptas de uma forma de ensino não regulamentada no Brasil. Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), é dever dos pais ou responsáveis matricular na escola os filhos com idades entre 4 e 17 anos. Em alguns países, porém, a prática é reconhecida. Nos EUA, por exemplo, estima-se em 2 milhões o número de famílias adeptas do homeschooling .
Em 12 de junho último, entusiastas da educação caseira foram a uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, onde tramita o Projeto de Lei 3179/12, que propõe a inclusão da educação familiar na LDB. Mas a ideia está distante de atrair um consenso.
Enquanto especialistas em educação se dividem sobre o tema, o próprio Ministério da Educação se posiciona contra. "A proposta de ensino domiciliar não apresenta amparo legal, ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a LDB e a própria Constituição Federal. O entendimento do parecer é de que a família não deve privar seus filhos do convívio escolar, sendo que cabe obrigatoriamente ao Estado o dever de assegurar a educação escolar das crianças e adolescentes", alegou o MEC em nota ao GLOBO.
- Quem pratica o homeschoolling afirma que uma das razões para educar os filhos em casa é a baixa qualidade do ensino no Brasil. Mas se a qualidade é baixa, devemos melhorar a escola, e não abandoná-la. Além disso, a criança não cria espírito coletivo. Desenvolve-se um individualismo exacerbado - critica o professor Carlos Alberto Cury, da Faculdade de Educação da PUC-MG.
Pelo texto do projeto de lei, só seria possível regulamentar a prática se observadas "articulação, supervisão e avaliação periódica da aprendizagem pelos órgãos próprios desses sistemas, nos termos das diretrizes gerais estabelecidas pela União e das respectivas normas locais".
Para aulas do ensino básico, a família Beck diz que segue o modelo curricular do MEC e compra material escolar recomendado no Plano Nacional do Livro Didático (PNLD). Como se ambos cursassem o ensino fundamental, Rafael lê obras referentes à 1º série, enquanto que Gabriela estuda em material pedagógico do 5º ano.
Flávia sabe que vai precisar de auxílio quando os filhos chegarem ao currículo do ensino médio. Professores particulares são uma opção, mas o casal espera contar também com o intercâmbio existente entre pais adeptos da mesma prática. Se numa casa, a mãe é formada em Ciências Humanas e pode dar aulas de História, por exemplo, e, em outro, o pai tem diploma na área de Ciências Exatas, essas duas famílias ensinam conjuntamente seus filhos.
- Queremos que eles façam faculdade, que tenham uma carreira. Apenas achamos que as escolas aqui são fracas - comenta Flávia, que é escritora de livros infantis. - Quando chegar a hora, vamos orientar nossos filhos a se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Assim, eles poderão obter o certificado de conclusão do Ensino Médio.
O artigo 246 do Código Penal define como abandono intelectual "deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar". Mas, de acordo com o advogado Alexandre Magno, diretor jurídico da Aned, quem educa seus filhos em casa não está, "de maneira alguma", cometendo uma infração.
- O que está na lei é deixar de instruir o filho na idade obrigatória, mas não cita a escola. Não há risco de ser punido criminalmente. O Código Penal não se refere à escola, mas, sim, à instrução - interpreta Magno.
EM MINAS, CASAL FOI CONDENADO A PAGAR MULTA
Não foi este, porém, o entendimento da Vara de Infância de Juventude do município mineiro de Timóteo. Em 2010, após denúncia do Conselho Tutelar local, o órgão condenou Cléber e Bernadeth Nunes a pagar uma multa hoje estimada em R$ 9 mil. Esta foi a primeira condenação desse tipo no país, segundo a Aned.
Habituados desde pequenos a estudar, principalmente, o conteúdo pelo qual nutriam interesse, os irmãos Jônatas e David Nunes, hoje com 19 e 20 anos respectivamente, foram, na época, obrigados a prestar uma bateria de oito exames teóricos. O objetivo era comprovar, ou não, o abandono intelectual. Mas a dupla, que havia saído da escola ainda no ensino fundamental, foi aprovada em todos os testes.
- No final, provamos que abandono intelectual é diferente de abandono escolar. Ficamos felizes - resume o pai, Cléber Nunes.
Numa sala de aula improvisada em casa, na Ilha do Governador, Arthur de Freitas Machado Martin, de 8 anos, aprende a contar até dez. Ele é portador de necessidades especiais. Segundo a mãe, a advogada Consuelo Martin, não houve diagnóstico preciso sobre sua condição. O menino, que ainda não fala, está matriculado numa escola particular. A LDB não faz qualquer distinção sobre crianças com necessidades especiais ao deixar claro que todas devem estar na escola. Mas a advogada prefere educar o filho em casa, com direito a apoio de terapeuta a psicopedagogo, e pretende montar uma "escola informal" em casa.
- Em nenhuma escola o meu filho vai receber a atenção que tem em casa - diz Consuelo.
Pais acham ambiente escolar pobre e nocivo.
Na pesquisa "Escola? Não, obrigado: um retrato da homeschooling no Brasil", o sociólogo da UnB André de Holanda ouviu 62 pais que educam seus filhos em casa, residentes em 12 estados, de todas as regiões brasileiras. Como parte do trabalho, que compõe sua dissertação de mestrado na UFMG, Holanda entrevistou oito pais e mães para entender os motivos da adoção da educação domiciliar.
Segundo ele, as motivações religiosas e/ou morais foram manifestadas por todos entrevistados. O pesquisador destaca também que a maioria dos pais (76%) considera o ambiente de socialização escolar nocivo: todos citaram experiências negativas sofridas nas escolas da parte dos filhos ou deles mesmos.
Também aparecem as motivações pedagógicas e as alegações de que o ensino regular ou o ambiente de aprendizado convencional é pobre (53%). Holanda acrescenta que mais da metade dos pais-educadores adota algum modelo de aprendizagem na educação domiciliar, tipicamente com currículos e horários de estudo pré-estabelecidos por eles.
De acordo com a pesquisa, três em cada dez pais consideram "eclética" a abordagem pedagógica que aplicam aos filhos, o que sugere a ocorrência de experimentações e combinações de métodos e filosofias educacionais diversas. Os filhos educados em casa têm 8 anos, em média, e começaram a ser educados nessa modalidade com 6.
- As crianças de famílias que adotam a educação domiciliar desenvolvem criatividade e independência. Eles adquirem mais habilidade empreendedora - observa Holanda.
Já para o pedagogo Ruda Ricci, presidente do Instituto Cultivar, o que está por trás do debate é o dilema entre o direito individual versus o autoritarismo do Estado. Nessa dicotomia, Ricci prefere se posicionar defendendo o dever estatal de prover educação formal, pois a escola estimularia a sociabilidade e a solidariedade.
- A ideia da educação familiar parte do princípio de que você terá sucesso individualmente, coisa que não aprenderia na escola. Mas eu não vou à escola só para aprender o que vai cair no vestibular, mas também para aprender a conviver com o diferente. A escola tem uma função de sociabilidade.
Autor(es): Leonardo Vieira - O Globo - 08/07/2013
Polêmico projeto de lei a favor do ensino domiciliar tem oposição do MEC; grupo de pais defende prática
Doce lar. Escritora de livros infantis, Flávia Beck defende o ensino domiciliar dos filhos Rafael, de 6 anos, e Gabriela, de 10: "Achamos que as escolas aqui são fracas", diz ela.
Desafio. Portador de necessidades especiais, Arthur, de 8 anos, aprende a contar com sua mãe, Consuelo Martin
A rotina de estudos começa cedo para os irmãos Rafael, de 6 anos, e Gabriela, de 10. A dupla mal acorda e já está em aula, às 8h, aprendendo lições de disciplinas como Português, História e Geografia. Na parte da tarde, Gabriela se concentra em aulas de música, enquanto o caçula prefere praticar seu traço com desenhos. A rotina descrita poderia se passar numa escola, mas acontece no apartamento em Jacarepaguá onde moram as crianças, que estão sendo educadas pelos pais, Flávia e Tom Beck. Rafael e Gabriela não estão matriculadas num colégio.
- Achamos que essa forma de ensino é mais eficaz que uma escola, e trabalhamos a autoestima deles. Que colégios oferecem um psicólogo apenas para isso? - argumenta o pai, Tom, filósofo e professor de português e inglês.
Eles não estão sozinhos, mas são uma minoria. De acordo com a Associação Nacional de Ensino Domiciliar (Aned), há 800 famílias no país declaradamente adeptas de uma forma de ensino não regulamentada no Brasil. Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), é dever dos pais ou responsáveis matricular na escola os filhos com idades entre 4 e 17 anos. Em alguns países, porém, a prática é reconhecida. Nos EUA, por exemplo, estima-se em 2 milhões o número de famílias adeptas do homeschooling .
Em 12 de junho último, entusiastas da educação caseira foram a uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, onde tramita o Projeto de Lei 3179/12, que propõe a inclusão da educação familiar na LDB. Mas a ideia está distante de atrair um consenso.
Enquanto especialistas em educação se dividem sobre o tema, o próprio Ministério da Educação se posiciona contra. "A proposta de ensino domiciliar não apresenta amparo legal, ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a LDB e a própria Constituição Federal. O entendimento do parecer é de que a família não deve privar seus filhos do convívio escolar, sendo que cabe obrigatoriamente ao Estado o dever de assegurar a educação escolar das crianças e adolescentes", alegou o MEC em nota ao GLOBO.
- Quem pratica o homeschoolling afirma que uma das razões para educar os filhos em casa é a baixa qualidade do ensino no Brasil. Mas se a qualidade é baixa, devemos melhorar a escola, e não abandoná-la. Além disso, a criança não cria espírito coletivo. Desenvolve-se um individualismo exacerbado - critica o professor Carlos Alberto Cury, da Faculdade de Educação da PUC-MG.
Pelo texto do projeto de lei, só seria possível regulamentar a prática se observadas "articulação, supervisão e avaliação periódica da aprendizagem pelos órgãos próprios desses sistemas, nos termos das diretrizes gerais estabelecidas pela União e das respectivas normas locais".
Para aulas do ensino básico, a família Beck diz que segue o modelo curricular do MEC e compra material escolar recomendado no Plano Nacional do Livro Didático (PNLD). Como se ambos cursassem o ensino fundamental, Rafael lê obras referentes à 1º série, enquanto que Gabriela estuda em material pedagógico do 5º ano.
Flávia sabe que vai precisar de auxílio quando os filhos chegarem ao currículo do ensino médio. Professores particulares são uma opção, mas o casal espera contar também com o intercâmbio existente entre pais adeptos da mesma prática. Se numa casa, a mãe é formada em Ciências Humanas e pode dar aulas de História, por exemplo, e, em outro, o pai tem diploma na área de Ciências Exatas, essas duas famílias ensinam conjuntamente seus filhos.
- Queremos que eles façam faculdade, que tenham uma carreira. Apenas achamos que as escolas aqui são fracas - comenta Flávia, que é escritora de livros infantis. - Quando chegar a hora, vamos orientar nossos filhos a se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Assim, eles poderão obter o certificado de conclusão do Ensino Médio.
O artigo 246 do Código Penal define como abandono intelectual "deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar". Mas, de acordo com o advogado Alexandre Magno, diretor jurídico da Aned, quem educa seus filhos em casa não está, "de maneira alguma", cometendo uma infração.
- O que está na lei é deixar de instruir o filho na idade obrigatória, mas não cita a escola. Não há risco de ser punido criminalmente. O Código Penal não se refere à escola, mas, sim, à instrução - interpreta Magno.
EM MINAS, CASAL FOI CONDENADO A PAGAR MULTA
Não foi este, porém, o entendimento da Vara de Infância de Juventude do município mineiro de Timóteo. Em 2010, após denúncia do Conselho Tutelar local, o órgão condenou Cléber e Bernadeth Nunes a pagar uma multa hoje estimada em R$ 9 mil. Esta foi a primeira condenação desse tipo no país, segundo a Aned.
Habituados desde pequenos a estudar, principalmente, o conteúdo pelo qual nutriam interesse, os irmãos Jônatas e David Nunes, hoje com 19 e 20 anos respectivamente, foram, na época, obrigados a prestar uma bateria de oito exames teóricos. O objetivo era comprovar, ou não, o abandono intelectual. Mas a dupla, que havia saído da escola ainda no ensino fundamental, foi aprovada em todos os testes.
- No final, provamos que abandono intelectual é diferente de abandono escolar. Ficamos felizes - resume o pai, Cléber Nunes.
Numa sala de aula improvisada em casa, na Ilha do Governador, Arthur de Freitas Machado Martin, de 8 anos, aprende a contar até dez. Ele é portador de necessidades especiais. Segundo a mãe, a advogada Consuelo Martin, não houve diagnóstico preciso sobre sua condição. O menino, que ainda não fala, está matriculado numa escola particular. A LDB não faz qualquer distinção sobre crianças com necessidades especiais ao deixar claro que todas devem estar na escola. Mas a advogada prefere educar o filho em casa, com direito a apoio de terapeuta a psicopedagogo, e pretende montar uma "escola informal" em casa.
- Em nenhuma escola o meu filho vai receber a atenção que tem em casa - diz Consuelo.
Pais acham ambiente escolar pobre e nocivo.
Na pesquisa "Escola? Não, obrigado: um retrato da homeschooling no Brasil", o sociólogo da UnB André de Holanda ouviu 62 pais que educam seus filhos em casa, residentes em 12 estados, de todas as regiões brasileiras. Como parte do trabalho, que compõe sua dissertação de mestrado na UFMG, Holanda entrevistou oito pais e mães para entender os motivos da adoção da educação domiciliar.
Segundo ele, as motivações religiosas e/ou morais foram manifestadas por todos entrevistados. O pesquisador destaca também que a maioria dos pais (76%) considera o ambiente de socialização escolar nocivo: todos citaram experiências negativas sofridas nas escolas da parte dos filhos ou deles mesmos.
Também aparecem as motivações pedagógicas e as alegações de que o ensino regular ou o ambiente de aprendizado convencional é pobre (53%). Holanda acrescenta que mais da metade dos pais-educadores adota algum modelo de aprendizagem na educação domiciliar, tipicamente com currículos e horários de estudo pré-estabelecidos por eles.
De acordo com a pesquisa, três em cada dez pais consideram "eclética" a abordagem pedagógica que aplicam aos filhos, o que sugere a ocorrência de experimentações e combinações de métodos e filosofias educacionais diversas. Os filhos educados em casa têm 8 anos, em média, e começaram a ser educados nessa modalidade com 6.
- As crianças de famílias que adotam a educação domiciliar desenvolvem criatividade e independência. Eles adquirem mais habilidade empreendedora - observa Holanda.
Já para o pedagogo Ruda Ricci, presidente do Instituto Cultivar, o que está por trás do debate é o dilema entre o direito individual versus o autoritarismo do Estado. Nessa dicotomia, Ricci prefere se posicionar defendendo o dever estatal de prover educação formal, pois a escola estimularia a sociabilidade e a solidariedade.
- A ideia da educação familiar parte do princípio de que você terá sucesso individualmente, coisa que não aprenderia na escola. Mas eu não vou à escola só para aprender o que vai cair no vestibular, mas também para aprender a conviver com o diferente. A escola tem uma função de sociabilidade.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
GERAÇÃO Y: seja curioso, saiba ouvir, conheça a si mesmo – entrevista com Eline Kullock
Marcelo Miranda
O post de hoje é um bate papo com Eline Kullock, presidente do Grupo Foco e especialista em RH e geração Y. Muitos defendem que a geração Y tem características e comportamentos diferentes no mercado de trabalho diferentes de outras gerações, outros defendem que são como qualquer geração jovem que chegou ao mercado de trabalho. Estudiosa do tema, nas suas respostas Eline dá valiosas dicas e conselhos aos jovens sobre caminhos a seguir neste mercado de trabalho de tantas mudanças e incertezas.
Entrevista com Eline Kullock

Marcelo Miranda – Eline, você é especialista em geração Y. Quais as características principais desta geração?
Eline Kullock – Esta geração tem um modelo mental diferente de outras gerações. Se verificarmos em termos de história, nossa geração Y ( falo de Brasil) encontrou um Brasil democrático, BRIC, com uma inflação pequena ( dizem…) com pleno emprego. Foi educado por uma geração que estava cansada do momento autocrático, que saiu as ruas pelo fim da ditadura, que presava o conceito de “paz e amor”. Cresceu num momento em que o tamanho das famílias diminuiu e cada família pode dar mais atenção aos seus filhos. Viveu num momento onde os educadores e sociólogos diziam para que seus pais e a escola não “castrasse o potencial criativo dos seus filhos e alunos. Puderam questionar seus pais, argumentar, discordar. Em função da tecnologia exponencial desenvolvida enquanto cresceram, passaram a ensinar os pais a lidar com os novos “gadgets” do mercado e por isso mesmo se sentiram mais “pares” dos seus pais, e menos “filhos”. Com tudo isso, é uma geração que aprende com seus pares, que aprende na base da tentativa e erro, que toma decisões mais rapidamente ( porque está acostumado a tomar decisões nos jogos eletrônicos), que funcionam melhor em grupo. Ao mesmo tempo não tem resistência a frustração, não lidam bem com autoridade, está acostumada a funcionar num modelo que, quando as cosas não funcionam, é possível adotar o modelo “delete and restart”.
Marcelo Miranda – Na sua opinião como o jovem com essas características pode se sobressair na carreira? Quais os comportamentos que você avalia que podem ser favoráveis?
Eline Kullock – Esse jovem é corajoso e curioso. Questiona as ordens, não aceita facilmente as opiniões dos outros. Aprendeu em casa que questionar é possível. Da mesma forma, vai questionar mais as ordens e instruções. Embora isso seja cansativo pra sua chefia pode, a médio prazo, ser uma atitude melhor pra empresa, que se renova com os questionamentos. O jovem da geração Y toma decisões de forma mais rápida que outras gerações, também influenciado pelos jogos eletrônicos e pela velocidade da tecnologia, de forma geral. Isto é pré requisito fundamental nesses novos tempos, onde temos mais variáveis na equação das organizações e onde lançar mais rapidamente um produto ou serviço pode ser determinante. Se ele questionar sem destruir ( às vezes este jovem não sabe bem como colocar suas insatisfações ou questionamentos e pode ser agressivo), se ele souber entrar com argumentos consistentes, se souber a hora certa de fazer os questionamentos, ele pode agregar muito para as organizações. Ele certamente vai trabalhar bem em times, porque sempre agiu assim e conviveu em times quer virtualmente quer presencialmente. Vemos, nesses movimentos de questionamentos da população, a vontade de trabalhar e fazer as reivindicações sem um líder claro. Todos são iguais. Não se aceitam partidos ou pessoas que queiram assumir a liderança do povo. O poder é compartilhado, Certamente ele será mais democrático nas organizações.
Marcelo Miranda – Como o jovem deve fazer para saber se relacionar com as outras gerações? Como transitar bem? Como reportar para outras gerações?
Eline Kullock – A primeira coisa para saber se relacionar bem com outra geração é reconhecer que há modelos mentais diferentes. Compreender que o outro é diferente, pela forma como foi educado, pela comunidade onde cresceu, pela sociedade que mudou. Quando eu me sentei pela primeira vez com meu filho para jogar “Wii”, peguei os controles e perguntei: Como eu faço pra jogar agora? E ele não compreendeu a pergunta. Para ele era claro que eu ia começar a jogar até entender como funcionavam os comandos e a lógica do jogo. Eu vim de um mundo onde tudo era explicado por um manual. Somos diferentes em vários aspectos e somos complementares em vários momentos. Aprender a respeitar estas diferenças é fundamental. Compreender que cada geração pode agregar valor ao objetivo da empresa é vital para a organização. E não ficar dizendo que uma geração é melhor do que a outra, porque isto não existe. Todas as gerações são boas e construtivas, cada época teve os seus pontos positivos. Tentar esclarecer opiniões divergentes quando o modelo mental difere é importante. Se eu penso de uma forma diferente do meu chefe, posso dizer isso a ele e questionar se esta diferença se dá porque são gerações distintas olhando pro mesmo problema. Sempre sabendo que a forma da geração Y questionar é mais direta ( o que pode ser agressivo na percepção dos chefes) e que a agressividade pode criar uma resistência a resolver o problema.
Marcelo Miranda – Qual a melhor maneira para o jovem aprender a lidar melhor com as frustações que certamente encontrará na carreira?
Eline Kullock – Nós vivemos numa época onde a velocidade foi se tornando mais importante. Se você não responde um e-mail no mesmo dia, ou se não devolve uma ligação telefônica no mesmo dia, você não é rápido o suficiente. Ser rápido passou a significar capacidade de enfrentar o mundo. Criamos o internet banking, os drive-thru, queremos internet mais rápidas , não aguentamos nem esperar pelo elevador! Quando eu explico que na minha época, meu e-mail era a carta, que demorava 10 dias pra chegar ao seu destinatário e mas 10 dias para o encaminhamento da resposta, os jovens riem. Já existem casamentos drive thru e enterros drive thru. Vivemos num mundo acelerado que não se organiza tão rapidamente para lidar com a rapidez da vida. Nem a legislação, em a escola, nem as outras instituições são tão rápidas. Certamente os jovens vão se frustrar com o tempo de tomada de decisão das organizações. Quando o jovem está no seu barquinho a remo, na sua vida, ele vira o seu barco 180 graus na hora em que quer. Quando entra no grande navio que é a corporação, este navio não vira tão rapidamente quanto ele gostaria. A empresa leva um tempo para digerir e promover mudanças. Como a legislação, como a escola. É necessário uma grande dose de paciência ( palavra que o jovem, de maneira geral, tem muita dificuldade em assimilar). Encontre um coach com quem conversar, um tutor, enfim, vá falar sobre as suas frustrações. Mas não saia correndo de uma organização em busca de outra porque você se confrontará com a questão de ritmo em quase todas.
Marcelo Miranda – Qual a melhor maneira para o jovem aprender a lidar com tanta informação disponível?
Eline Kullock – Eu acho que é necessário uma capacidade de filtrar as informações relevantes e suficientes enorme, no mundo de hoje. Saiba pesquisar sempre, obter a informação necessária sempre, mas saiba onde há armadilhas, onde e quando a informação é confiável, e saiba quando parar de buscar informações porque a quantidade de notícias é enorme. As diferentes versões existirão sempre. Saiba ser analítico e não acreditar sempre nas versões recebidas. Saiba procurar uma opinião contra a que você acreditou, para ter mais convicção na hora de defender seus pontos de vista. A capacidade de analisar uma situação ou um problema será determinante na sua carreira. Saiba ser profundo nas suas análises e para ser capaz de fazer isto, frequentemente, é bom compreender os dois lados da moeda. Saiba fazer análise e síntese.
Marcelo Miranda – Quais os três conselhos para os jovens para se desenvolverem e crescerem profissionalmente?
Eline Kulock – Talvez, Marcelo, eu já tenha dito ao longo desta nossa conversa, os meus três conselhos básicos.
O primeiro é “seja curioso”. A curiosidade é o primeiro passo da criatividade, da inovação. Quem não questiona não cria nada novo. Então, pergunte sempre, pense em alternativas para um dado problema e não numa solução única. O mundo muda por pessoas que não se conformam com questões que eles acreditam que podem ser modificadas. Crianças são curiosas por natureza. Faça esta mágica permanecer em você.
O segunda conselho que eu daria é “saiba escutar”. Deixe que os outros falem e só então crie sua própria opinião. Escute feedbacks, pontos de vista, sem preconceitos. Ninguém é dono da verdade e você pode estar aplicando a decisão errônea para um determinado problema. Essa maturidade, essa capacidade de esperar para ter certeza de uma opinião, vai permitir que você faça uma análise mais profunda na hora da tomada de decisão. Não seja impulsivo. Saiba fundamentar sua decisão com uma vasta gama de motivos.
A terceira orientação é conheça seus pontos fortes e pontos a serem desenvolvidos. E para reconhecer pontos fracos é necessário muita maturidade. É preciso estar muito seguro de si, e as pessoas inseguras tem mais dificuldade em aceitar críticas. Peça sempre um feedback do seu comportamento. Pergunte aos seus chefes, aos seus pares e aos seus subordinados. Escute ( recomendação número 2!!). Peça exemplos de onde e quando se comportou desta ou daquela maneira. Não contra argumente quando confrontado com um ponto a ser desenvolvido. Peça mais exemplos e confirme as possibilidades com outros colegas. Em locais adequados a uma boa conversa íntima, com o tempo necessário para que o outro possa desenvolver sua tese. Lembre-se sempre que todos tem pontos a desenvolver. E pontos fortes, com certeza.
Marcelo Miranda – Qual sua opiniáo para como o gestor da geração X ou baby-boomer para lidar com equipes com jovens da geração Y da melhor maneira?
Eline Kullock – Para que o gestor possa lidar bem com todas as gerações é necessário primeiramente que ele entenda que as gerações pensam de forma diferente. Que cada geração terá suas demandas específicas. A Geração Y se ressente da baixa frequência de feedback, por exemplo. A Geração Y quer reuniões mais rápidas e processos menos engessados. Escute cada demanda e compreenda que nem todos pensam com sua cabeça, baseados no seu conjunto de crenças e vivências. Dê espaço para que coloquem seus pontos de vista. Nenhuma opinião ou pergunta é boba. Todas são válidas. Saiba se colocar no lugar dos outros. Ver a vida pelo olhos deles. Saiba criar espaços onde as pessoas podem reclamar, questionar, abrir debates. As pessoas precisam disso e vão confiar mais em você se você confiar mais nelas. Não deixe de colocar suas próprias opiniões. Você tem suas próprias opiniões, claro, e deve explicitá-las, mas ouvir outros pontos de vista só farão de você um gestor mais completo.
Perfil: Eline Kullock
Eline é presidente do Grupo Foco, consultoria que fundou há 19 anos e hoje conta com 250 funcionários e 8 filiais nos estados mais importantes do Brasil...
...Eline escreveu diversos artigos para jornais e revistas, discutindo as tendências das organizações e seus funcionários, sempre baseada em estudos e pesquisas.
Seu know-how também é fonte de referência em assuntos de RH para veículos da grande imprensa, como Gazeta Mercantil, Exame, TV Globo, Folha de São Paulo, entre outros veículos
Eline pesquisa há vários anos tendências do comportamento dos jovens e a influência dos videogames em sua atuação profissional, tendo sido fonte de referência para a imprensa nacional no assunto, especialmente quando se fala em “Geração Y“
Iniciou a carreira na diretoria da Mesbla Loja de Departamentos, atuando como Diretora de Recursos Humanos, Planejamento Estratégico e Organização. Também foi Diretora da Servenco, na holding que congrega empresas de construção, incorporação, administração de imóveis, Hotelaria e Administração de Shopping Centers.
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