domingo, 2 de junho de 2013
4 formas de motivar seus funcionários sem por a mão no bolso
É possível dar um gás na equipe sem investimentos milionários nem campanhas milagrosas; veja sugestões de pequenas atitudes para manter a motivação em alta
Vale lembrar quanto maior o seu conhecimento sobre os seus funcionários, maior será a sua capacidade de equalizar essas moedas de troca de forma mais efetiva e mais barata
Se quando você pensa em alavancar o resultado de seus funcionários o que vem à mente são aquelas campanhas enormes – e caríssimas- de motivação, pode ser que você esteja errado. É possível chegar a bons resultados usando outras moedas de troca que não o dinheiro.
Com lançamento marcado para a segunda quinzena de julho, o livro “Seja a pessoa certa no lugar certo”, de autoria do consultor de gestão de pessoas Eduardo Ferraz, deverá ajudar profissionais na trajetória do autoconhecimento – e também promete iluminar o caminho dos gestores de equipe.
“Na prática, em qualquer empresa do mundo, seja uma padaria ou uma petroleira multinacional, haverá sempre cinco principais moedas de troca com os funcionários”, explica Ferraz. A primeira delas, naturalmente, é aremuneração.
No entanto, são as outras quatro moedas que escondem uma mina de motivação para gestores que querem dar um estímulo para os funcionários e não podem buscar ajuda dos cofres da empresa. “Os únicos custos são a boa vontade e o trabalho mental”, lembra Ferraz.
A sugestões de Ferraz são bastante abrangentes, por isso, vale lembrar quanto maior o seu conhecimento sobre os seus funcionários, maior será a sua capacidade de equalizar essas moedas de troca de forma mais efetiva e mais barata.
1 Conforto
Oferecer segurança e conforto para os funcionários é uma boa alternativa para quem quer estimular a equipe sem por a mão no bolso. Se um novo projeto deverá demandar mais da equipe, por exemplo, Ferraz sugere um banco de horas informal, como forma de reconhecimento dos esforços adicionais. “Se você comunicar o funcionário que ele será recompensado, ao menos em horas, já é um grande estímulo”, afirma.
Nesse campo entra também a flexibilidade de horário e a previsibilidade de iniciativas e prazos. No entanto, tudo isso precisa não só ser comunicado aos funcionários, como deve ser valorizado na hora da contratação. “O custo financeiro dessa prática é zero e pode ser melhor explorada”, diz.
2 Aprendizado
Possibilidades de aprendizado sempre funcionam bem como uma ferramenta de troca com os funcionários – em especial os mais jovens. Mas se o caixa da empresa não tem permitido o investimento em pós-graduações e MBAs, por exemplo, a oportunidade de vivenciar outros setores e experiências pode funcionar muito bom. “Existem empresas que são verdadeiras escolas, que possibilitam o que chamo de aprendizado tácito. É importante que os gestores saibam valorizar isso”, diz Ferraz.
O chamado job rotation – que pressupõe a oportunidade de trocar de atividade dentro da mesma empresa por período pré-determinado – é uma prática barata que pode ser atendida. “Esse aprendizado informal acaba sendo muito mais valioso para os funcionários”, diz.
3 Reconhecimento
É claro que uma promoção é sempre a forma mais óbvia de reconhecer o trabalho de um funcionário. Mas a prática constante do feedback é um trabalho que só exige um maior cuidado na gestão da equipe.
O custo dessa ferramenta é apenas a boa vontade de dar retornos sinceros e objetivos aos funcionários. “Elogiar só por elogiar tira o valor dessa moeda de troca. Assim como a crítica excessiva torna ela frágil”, afirma Ferraz. “O reconhecimento é importantíssimo.”
4 Autorrealização
Quem nunca viu aqueles funcionários que não ganham uma fortuna, não têm segurança de seus cargos – que nem são altos – e ainda assim trabalham com todo o prazer? Essa sensação vem da sensação de pertencer a uma equipe que de fato faz a diferença. “Ele precisa ter essa sensação clara da sua missão”, diz Ferraz. “No caso de um restaurante, por exemplo, saber que ele fez parte da elaboração de uma receita que foi eleita a melhor da cidade, por exemplo, é garantia de que haverá mais retorno daquele trabalho.”
10 erros comuns dos líderes novatos
Os jovens profissionais estão se tornando gestores cada vez mais cedo. Conheça as falhas mais comuns entre os novos chefes e saiba como corrigi-las
São Paulo - Nos últimos anos, o mercado de trabalho no Brasil vive a seguinte situação: com a economia em crescimento, abriram-se vagas e faltou gente qualificada para preenchê-las. A maneira que a maioria das empresas encontrou para resolver essa questão foi promover seus jovens mais bem avaliados internamente para ocupar as novas posições.
Essa solução tem dois efeitos positivos para a
Essa solução tem dois efeitos positivos para a companhia que a adota: ela consegue preencher o posto vazio e, ao mesmo tempo, dá um aumento ao funcionário promovido, o que ajuda a retê-lo num momento em que o mercado está atrás de gente. O problema desse processo começa a ser sentido de forma nítida agora: há muita gente imatura em posição de liderança.
“Vivemos a fase do profissional em sua primeira vez: primeira vez gerente, primeira vez diretor, primeira vez presidente”, diz Marcelo Cuellar, headhunter da Michael Page, empresa de recrutamento de executivos. A sucessão dos cargos de gestão sempre aconteceu nas organizações. A diferença é que agora esse movimento se dá numa escala e numa velocidade sem precedentes no país.
O resultado da inexperiência dos líderes é uma gestão mais exposta a erros, que são inerentes ao aprendizado, mas se tornaram mais corriqueiros. “Líder você não pega na prateleira”, diz Marcelo Cuellar. “Se as empresas estão colocando inexperientes em postos de comando, têm de estar dispostas a pagar um preço e a conviver com falhas.”
Obviamente, não é dado aos líderes tempo de maturação na posição, o que faz com que aprender na prática seja a única alternativa para os funcionários recém-promovidos. “As companhias não se prepararam adequadamente para esse crescimento”, diz Janaína Ferreira Alves, coordenadora de pós-graduação do Ibmec, escola de negócios do Rio de Janeiro.
“Os profissionais que hoje estão ocupando pela primeira vez cargos de liderança normalmente tiveram uma ascensão acelerada, o tempo natural da carreira não foi respeitado, e isso tem consequências.” Mesmo com pouca experiência na cadeira de gestor, é possível corrigir as falhas.
A VOCÊ S/A ouviu chefes que assumiram cargos de liderança há pouco tempo e já aprenderam algumas lições. Também foram consultados especialistas em gestão de pessoas, liderança e recursos humanos. Esses profissionais apontaram os dez principais erros (e suas soluções) cometidos por gestores novatos. Confira.
1 Baixo foco em pessoas
Um dos principais problemas de líderes jovens é a dificuldade de gerenciar pessoas, segundo todos os especialistas consultados. “É um erro acreditar que ser gestor é ser o técnico dos técnicos”, diz o coach Silvio Celestino, de São Paulo. “Eles se esquecem das pessoas e lideram pela pressão, colocando em risco a questão da qualidade de vida deles e da equipe”, diz Vera Martins, professora do curso Liderança Assertiva da Fundação Vanzolini, de São Paulo.
Solução: Olhe para o lado
Para gerir pessoas, dizem os especialistas, a solução é olhar para o lado e prestar atenção no que dizem e querem os subordinados. Tratar todos com respeito e educação é fundamental. Cursos de liderança, livres ou oferecidos por instituições de ensino, abordam o tema gestão de pessoas e até podem ajudar. “Eles amenizam as falhas, mas não resolvem o problema”, diz Marcelo Cuellar, da Michael Page.
2 Não ter propósito de carreira
Erram os líderes que assumem o posto por status e salário. “Esse, com certeza, é o pior erro que o gestor pode cometer”, diz Silvio Celestino. Para ele, quem lidera de olho na conta bancária não consegue traçar planos de longo prazo para a empresa e deixa de preocupar-se com o trabalho da equipe. “Ele centraliza as atividades para entregar resultados e obter lucros imediatos.”
Solução: Defina o que você quer
Ter uma meta é importante em qualquer momento da carreira. Se a ideia é ser gestor, veja como alcançar o objetivo da melhor maneira possível para a sua trajetória profissional, avaliando o que ainda é preciso desenvolver para conseguir o que quer.
3 Descuidar-se da comunicação
Comunicar-se bem é uma obrigação do gestor. Ele é o responsável por traduzir para a equipe a estratégia da empresa. Quem falha nesse quesito terá problemas de desempenho. “Eu falhei ao tentar fazer mudanças de gestão sem alinhar com meus sócios”, diz Gustavo Gomes, de 33 anos, diretor executivo do Grupo Núcleos, de clínicas médicas. “Teria gastado menos energia se tivesse identificado algumas pessoas-chave para me ajudar nesse processo.”
Solução:
Seja transparente
“Ouvir e dar abertura para as pessoas exporem ideias é imprescindível”, diz Taís Amaral, professora de pós-graduação da Trevisan Escola de Negócios, em São Paulo. Comunicar claramente aos subordinados os passos que a organização dá faz do líder uma referência. “Se as coisas não estiverem bem, diga que não estão bem”, diz Janaína Alves, coordenadora de pós-graduação do Ibmec.
4 Comprometer-se demais
Por insegurança ou ambição, o jovem líder pode assumir prazos e outros tipos de compromisso sem saber se pode cumpri-los. No passado, o economista Sacha Dowek, de 32 anos, gerente comercial da Adina, importadora e produtora da indústria têxtil, prometeu a clientes prazos que dificilmente conseguiria arcar. “Foi ingenuidade”, diz. Hoje, com três anos na gerência da área comercial da empresa, Sacha aprendeu o valor de pensar a longo prazo. “Sou menos impulsivo”, afirma.
Solução: Visualize o futuro
“Comprometer-se além da conta é um erro quase inevitável e faz parte do perfil do jovem”, diz George Stein, gerente de programas abertos do Insper, escola de educação executiva. Por mais tentador que seja, diga “não” quando não tiver certeza. “Planejando, o risco de errar é menor”, avalia George.
5 Comportar-se como um colega
Dois sentimentos distintos podem surgir quando se alcança um posto de liderança: arrogância ou condescendência. O medo de perder a amizade daqueles que, até então, eram seus pares é o que mais acomete líderes jovens, acredita Taís, da Trevisan. O receio faz com que eles deixem de fazer cobranças mais pontuais para tentar ser vistos como colegas.
“Via mais o lado do colaborador do que o da empresa e cheguei a me exceder com um superior por isso”, diz Renata Honorato, de 29 anos, gerente de vendas e marketing há dois anos do E.Group, rede de pousadas e hotéis de luxo. “Fui solidária demais.” Quando teve de demitir duas pessoas a pedido da empresa, sob a justificativa de corte de pessoal, Renata sofreu. “Fiquei até doente.”
Solução:
Equilibre os dois pratos da balança
Quando um colega assume um cargo de chefia, ocorre uma mudança na relação de poder, o que pode gerar atrito. O líder deve mostrar que tem seus valores e que eles estão alinhados aos da organização. Como fazer? Preservando a coerência entra a fala e a ação no dia a dia. Manter o equilíbrio entre as crenças pessoais e considerar as necessidades da companhia e dos subordinados são os principais passos para evitar o estresse pessoal e na relação com a equipe.
6 Focar apenas em resultados
Um líder que fica de olho apenas no fim do processo, que na maioria dos casos são metas financeiras, tende a criar atalhos para alcançá-lo mais rápido. “Muitas vezes, esses atalhos trazem resultado imediato, mas comprometem a empresa no longo prazo”, diz Stella Angerami, especialista em counselling, de São Paulo. Apresentar resultado de cara é a grande preocupação de uma pessoa nova no cargo. Mas forçar a equipe a apresentar números não dá em nada. “Isso pode levar a equipe a tomar atitudes ilegais ou antiéticas”, diz Silvio Celestino.
Solução: De olho no caminho
A conquista de resultados é um processo. Administrar a pressão desde o primeiro dia evita que ela cresça muito no final. Além disso, diz George Stein, gerente de programas abertos do Insper, esse cuidado auxilia o gestor a planejar e distribuir tarefas de uma maneira organizada.
7 Dificuldade em dar feedback
O líder é responsável por explicar a seus subordinados se o trabalho deles está de acordo com o que a empresa espera, se eles estão indo na direção certa. Ao cumprir mal essa tarefa, ele prejudica o desempenho de sua equipe e o seu próprio. “Sem retorno, o funcionário não sabe o valor de seu trabalho”, diz Fábio Saad, consultor da Robert Half.
Solução: Avalie constantemente
Sentar com cada membro da equipe, ao menos uma vez por mês, deve ser rotina de todos os líderes. Se a equipe for grande, o líder deve acompanhar o trabalho, orientar e dar o retorno enquanto as coisas acontecem. A avaliação de desempenho é uma ferramenta importante para auxiliar líderes a entender a equipe. Mas o líder deve ajudar a colocar em prática o que foi combinado na avaliação.
8 Falta de controle sobre a ansiedade
“A ansiedade leva a erros, e todas as outras habilidades ficam fragilizadas em momentos de tensão”, diz Janaína, do Ibmec. Allan Sato Horita, de 29 anos, diretor de marketing, negócios e operações da Transit Telecom, empresa de telecomunicações de São Paulo, entrou na empresa como estagiário de direito em 2006 e após um ano já era supervisor.
“Eu estava aprendendo a gerenciar pessoas e, por um momento, esqueci um pouco de ser gestor. Na ansiedade, atropelava funcionários para atingir resultados”, diz. “Essa atitude gera desmotivação. É um dos maiores erros que um líder pode cometer”, diz Fábio Saad, gerente da consultoria Robert Half.
Solução: Planejamento ajuda
A ansiedade deriva da insegurança ou da necessidade de controle. Uma alternativa para dosá-la é ouvir a equipe também. “Comecei a conversar com pessoas mais experientes e com minha equipe”, diz Allan. “Estou mais informado e menos ansioso.”
9 Generalizar a gestão
Tratar a equipe de forma homogênea é uma maneira de facilitar a gestão — para o líder. Para quem está embaixo, isso pode gerar frustração. “Você tem que levar diferenças em conta para garantir a igualdade e a justiça”, diz Marcelo Cuellar, da Michael Page. É um erro dar condições iguais para profissionais que têm experiências e realidades diferentes.
“Não dá para uniformizar a gestão”, diz Gianfrancesco Ghiurghi, de 31 anos, gerente de vendas da Sadive, concessionária de caminhões de São Paulo, que se tornou gestor há menos de dois anos. “Uma das principais dificuldades que tive foi aprender a trabalhar a individualidade”, diz Gianfrancesco.
Solução: Estude sua equipe
Um bom gestor, acredita Germano Glufke Reis, professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-Eaesp), sabe identificar e ressaltar os pontos fortes e amenizar as falhas de seus subordinados. “É obrigação do gestor estudar a equipe e saber com quem está trabalhando”, avalia Germano. Para evitar injustiças, conheça o que cada membro de seu time tem a oferecer e monitore a evolução de cada um deles.
10 Não saber delegar
“Eu queria abraçar o mundo, mas fiquei sobrecarregada e estressada”, conta a administradora Crisleine Pereira, de 30 anos, diretora da Comunika, empresa de negócios por celular, de Porto Alegre, que passou de analista de marketing a diretora em três anos. Os primeiros meses como líder, lembra ela, foram difíceis.
“Os meus maiores desafios eram priorizar e aprender a delegar.” A dificuldade de distribuir tarefas é erro comum entre os mais inexperientes, que acabam centralizando e realizando as tarefas dos subordinados com medo de perder o poder. “A pessoa acaba fazendo sozinha, com receio de que os outros não façam direito”, afirma o coach Silvio Celestino.
Solução: Confie na sua equipe
A consequência de não delegar é entregar um trabalho atrasado e com erros. Por isso, a solução é ir experimentando aos poucos até adquirir confiança nos profissionais. “Estabelecer relação de confiança e comprometimento com a equipe exige equilíbrio emocional”, afirma Janaína, do Ibmec. “E isso leva tempo.”
Camila Mendonça, da VOCÊ /SA
domingo, 12 de maio de 2013
Harmonia no ambiente escolar
Cecilia Meireles, em sua saborosa poética, assim escreve: "Ensinar é acordar a criatura humana dessa espécie de sonambulismo em que tantos se deixam arrastar. Mostrar-lhes a vida em profundidade. Sem pretensão filosófica ou de salvação, mas por uma contemplação poética, afetuosa e participante."
Quando se lê a educação com esse olhar de Cecilia, parece que o dia a dia na relação professor-aluno é encantado. Muitos dirão que essa elevação afetiva se funciona no plano das ideias e que, na prática, assiste-se a um aviltante processo de destruição das relações humanas.
A violência nas escolas se materializa em agressões verbais e físicas. e a prática do bullying que destrói as relações e os seres humanos. O professor se sente vitima de um sistema que não o valoriza, portanto não o entende bem, nem o protege. Os alunos parecem prontos para a batalha. Padecem de amor e de limites. A ausência familiar se faz sentir na postura agressiva ou apatia em sala de aula.
Alemm disso, e talvez por isso, tentam disputar poder com os professores que, por sua vez, deixam-se levar em um debate desnecessário. Há um axioma essencial na relação entre professor e aluno: autoridade harmonizada pelo afeto. O aluno precisa de limite e precisa compreender o papel do educador. O docente não pode impor sua autoridade, mas deve conquistá-la, sem brigas nem ameaças, sem histeria.Com o respeito de quem sabe ensinar e aprender e de quem harmoniza as relações.
É imprescindível o resgate das relações harmoniosas no universo escolar. Evidentemente, são a experiência e a disposição do professor que farão com que ele toque na alma do seu aluno; sem isso não há educação. Alguns cuidados em nossas atitudes são de extrema importância. O primeiro deles é que professor não brigue com o aluno, mesmo que tenha a razão. Se isso acontecer, parte da sala torcerá pelo estudante e a outra pelo professor, assim, ele deixa de ser referencial. Um segundo cuidado seria o professor não colocar apelido em aluno e outra precaução seria a de não comparar um com o outro e é preciso lembrar que não há homogeneidade no processo educativo, mas heterogeneidade. E, por último, o educador não pode se mostrar arrogante nem subserviente. O meio termo é amoroso.
E aí voltamos a Cecília Meireles. A harmonia no ambiente escolar irá ocorrer quando se consegue quebrar a carcaça que envolve alguns alunos pela falta de algo que deveria ter vindo antes. É esse sonambulismo, essa postura incorreta frente á vida e frente a si mesmo.
Trata-se de ajudá-lo a viver essa contemplação poética ou, em termos aristotelicos, a buscar uma aspiração para a vida. Ou ainda, em Paulo Freire, ajudá-los a desenvolver autonomia para sonhar.
Aí sim, o professor mostrará autoridade. Autoridade generosa de quem confia e cobra, de quem educa pelo exemplo, pelo respeito, pela admiração de seus alunos. E é nesse bom caminho que entra o afeto como instrumento de poder e participação. É do olhar do mestre que saem essas virtudes. O olhar que acolhe e que constrange quando necessário. O olhar que se faz cúmplice nas boas conquistas e que lamenta docemente pelo que se perdeu. O olhar que mantém o silêncio na sala de aula, sem gritos ou lamentações, mas que capaz de chorar pela emoção de mais um aprendiz que encontrou seu caminho.
A harmonia no ambiente escolar não é uma utopia. É talvez uma tarefa complexa que exige o que de melhor podem dar os educadores: competência, coragem e muito, muito amor!
Gabriel Chalita
Artigo publicado na revista Profissão Mestre de fevereiro de 2010
Quando se lê a educação com esse olhar de Cecilia, parece que o dia a dia na relação professor-aluno é encantado. Muitos dirão que essa elevação afetiva se funciona no plano das ideias e que, na prática, assiste-se a um aviltante processo de destruição das relações humanas.
A violência nas escolas se materializa em agressões verbais e físicas. e a prática do bullying que destrói as relações e os seres humanos. O professor se sente vitima de um sistema que não o valoriza, portanto não o entende bem, nem o protege. Os alunos parecem prontos para a batalha. Padecem de amor e de limites. A ausência familiar se faz sentir na postura agressiva ou apatia em sala de aula.
Alemm disso, e talvez por isso, tentam disputar poder com os professores que, por sua vez, deixam-se levar em um debate desnecessário. Há um axioma essencial na relação entre professor e aluno: autoridade harmonizada pelo afeto. O aluno precisa de limite e precisa compreender o papel do educador. O docente não pode impor sua autoridade, mas deve conquistá-la, sem brigas nem ameaças, sem histeria.Com o respeito de quem sabe ensinar e aprender e de quem harmoniza as relações.
É imprescindível o resgate das relações harmoniosas no universo escolar. Evidentemente, são a experiência e a disposição do professor que farão com que ele toque na alma do seu aluno; sem isso não há educação. Alguns cuidados em nossas atitudes são de extrema importância. O primeiro deles é que professor não brigue com o aluno, mesmo que tenha a razão. Se isso acontecer, parte da sala torcerá pelo estudante e a outra pelo professor, assim, ele deixa de ser referencial. Um segundo cuidado seria o professor não colocar apelido em aluno e outra precaução seria a de não comparar um com o outro e é preciso lembrar que não há homogeneidade no processo educativo, mas heterogeneidade. E, por último, o educador não pode se mostrar arrogante nem subserviente. O meio termo é amoroso.
E aí voltamos a Cecília Meireles. A harmonia no ambiente escolar irá ocorrer quando se consegue quebrar a carcaça que envolve alguns alunos pela falta de algo que deveria ter vindo antes. É esse sonambulismo, essa postura incorreta frente á vida e frente a si mesmo.
Trata-se de ajudá-lo a viver essa contemplação poética ou, em termos aristotelicos, a buscar uma aspiração para a vida. Ou ainda, em Paulo Freire, ajudá-los a desenvolver autonomia para sonhar.
Aí sim, o professor mostrará autoridade. Autoridade generosa de quem confia e cobra, de quem educa pelo exemplo, pelo respeito, pela admiração de seus alunos. E é nesse bom caminho que entra o afeto como instrumento de poder e participação. É do olhar do mestre que saem essas virtudes. O olhar que acolhe e que constrange quando necessário. O olhar que se faz cúmplice nas boas conquistas e que lamenta docemente pelo que se perdeu. O olhar que mantém o silêncio na sala de aula, sem gritos ou lamentações, mas que capaz de chorar pela emoção de mais um aprendiz que encontrou seu caminho.
A harmonia no ambiente escolar não é uma utopia. É talvez uma tarefa complexa que exige o que de melhor podem dar os educadores: competência, coragem e muito, muito amor!
Gabriel Chalita
Artigo publicado na revista Profissão Mestre de fevereiro de 2010
Será que os pais têm consciência do quanto influenciam os filhos na construção de sua identidade?
Esta, com certeza, é uma questão que requer muitas reflexões, se não para obtenção de respostas, ao menos para propiciar o debate entre família e escola. A construção de identidade da criança acontece a partir da qualidade da vida afetiva que será construída ao longo dos seus primeiros anos de vida, e, neste momento, a mediação da família é fundamental para que o filho desenvolva habilidades e para que possa, ao longo do seu desenvolvimento, ser mais competente em suas escolhas.
São inúmeras as influências para a formação de uma criança, por este motivo pais e escola devem caminhar juntos na tarefa de transmitir valores necessários para esta formação. No entanto, parece natural que os pais se ocupem disso, e é importante salientar que a escola também é corresponsável por esta orientação e formação, mas, nos últimos tempos, vem ampliando seu papel ao lidar com o resultado direto do que a família produz nos filhos. Como nos dia de hoje a criança permanece muito tempo na escola, o investimento em cada filho está cada vez maior, havendo, inclusive, uma inversão de valores, e a criança aprende desde cedo a ter seus desejos satisfeitos. Se a família ceder ao individualismo e cortar os vínculos estáveis com os filhos, ela produzirá cada vez mais egos inseguros.
A atitude dos pais na criação de seus filhos são aspectos que interferem, de forma positiva ou negativa, no seu desenvolvimento. Se a função da família é transmitir valores, afeto, segurança e proporcionar condições para o bom desenvolvimento e construção da autonomia da criança, é necessário que ela seja construtiva, pois a infância é direito de todos, e nesse sentido eles precisam de amparo, cuidados e educação.
Texto da pedagoga Claudia Roberta Monteiro Silva é psicopedagoga institucional e clínica e mestranda em Ciências da Educação.
Dicas para os Pais de crianças com TDAH
Seguindo a mesma ideia das dicas para professores na forma de lidar com crianças com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), deixo aqui um novo conteúdo sobre o tema, mas dessa vez, direcionado aos pais que tenham filhos com hiperatividade.
Estas recomendações foram elaboradas pela ABDA (www.tdah.org.br) com base na experiência de portadores, familiares e profissionais, devendo ser encaradas como “dicas” que não excluem o acompanhamento por profissional especializado.
Dicas para os Pais
1) O comportamento dos pais não é a causa do TDAH, mas pode agravá-lo. Um lar estruturado, com harmonia e carinho, é importante para qualquer criança, e indispensável para as portadoras de TDAH, que precisam de bastante suporte para superar suas dificuldades.
2) A casa precisa ter regras claras e que sejam seguidas por todos. Os pais atuam como modelos para os filhos, portanto, devem agir como gostariam que ele agisse. Só assim a criança terá parâmetros de comportamento bem definidos e saberá o que é exigido dela.
3) Elogie, elogie, elogie. É sempre melhor dar atenção aos bons comportamentos do que punir sempre que algo indesejável acontece. Não espere pelo comportamento perfeito, valorize pequenos passos alcançados. Lembre-se que ela está sempre tentando corresponder às expectativas, mas às vezes não consegue. Crianças portadoras de TDAH tendem a ser muito criticadas, rotuladas de bagunceiras, e desobedientes e podem se sentir frustradas por não conseguir corresponder às expectativas dos adultos. Ofereça atenção e carinho ao seu filho.
4) A dica número 3 não é sinônimo de permissividade. Dar carinho e atenção não significa deixar de educar com firmeza, impondo limites quando necessário. A criança precisa aprender a cumprir regras e o respeito a elas deve ser exigido.
Leia sobre o assunto para entender o que se passa com seu filho e qual a melhor maneira de ajudá-lo. Compreenda as suas limitações, não exija demais dele, e invista em suas potencialidades. O psiquiatra, o neurologista e o psicólogo especializados em TDAH são sempre a melhor fonte para recomendar livros, textos e sites relacionados.
Educar um filho com TDAH não é tarefa das mais simples. Paciência, firmeza e disciplina são algumas das características que quem convive com o portador de TDAH precisa ter. Além de seguir com comprometimento o tratamento prescrito pelo médico, com dicas simples que podem tornar a vida dos pais e da criança mais sadia e feliz.
Estas recomendações foram elaboradas pela ABDA (www.tdah.org.br) com base na experiência de portadores, familiares e profissionais, devendo ser encaradas como “dicas” que não excluem o acompanhamento por profissional especializado.
Dicas para os Pais
1) O comportamento dos pais não é a causa do TDAH, mas pode agravá-lo. Um lar estruturado, com harmonia e carinho, é importante para qualquer criança, e indispensável para as portadoras de TDAH, que precisam de bastante suporte para superar suas dificuldades.
2) A casa precisa ter regras claras e que sejam seguidas por todos. Os pais atuam como modelos para os filhos, portanto, devem agir como gostariam que ele agisse. Só assim a criança terá parâmetros de comportamento bem definidos e saberá o que é exigido dela.
3) Elogie, elogie, elogie. É sempre melhor dar atenção aos bons comportamentos do que punir sempre que algo indesejável acontece. Não espere pelo comportamento perfeito, valorize pequenos passos alcançados. Lembre-se que ela está sempre tentando corresponder às expectativas, mas às vezes não consegue. Crianças portadoras de TDAH tendem a ser muito criticadas, rotuladas de bagunceiras, e desobedientes e podem se sentir frustradas por não conseguir corresponder às expectativas dos adultos. Ofereça atenção e carinho ao seu filho.
4) A dica número 3 não é sinônimo de permissividade. Dar carinho e atenção não significa deixar de educar com firmeza, impondo limites quando necessário. A criança precisa aprender a cumprir regras e o respeito a elas deve ser exigido.
Leia sobre o assunto para entender o que se passa com seu filho e qual a melhor maneira de ajudá-lo. Compreenda as suas limitações, não exija demais dele, e invista em suas potencialidades. O psiquiatra, o neurologista e o psicólogo especializados em TDAH são sempre a melhor fonte para recomendar livros, textos e sites relacionados.
Educar um filho com TDAH não é tarefa das mais simples. Paciência, firmeza e disciplina são algumas das características que quem convive com o portador de TDAH precisa ter. Além de seguir com comprometimento o tratamento prescrito pelo médico, com dicas simples que podem tornar a vida dos pais e da criança mais sadia e feliz.
domingo, 6 de janeiro de 2013
A antiga escola moderna
Autor de mais de 180 livros didáticos, paradidáticos e pedagógicos, Celso Antunes, mestre em ciências humanas e especialista em inteligência e cognição, mostra na sua mais recente publicação, Antiguidades Modernas, a importância de o professor repensar e qualificar o seu cotidiano pedagógico. Baseado em diversas crônicas, Antunes abre espaço para que o professor faça uma analise sobre temas tradicionais, antigos e modernos da educação.
Revela, em entrevista exclusiva a revista Profissão Mestre, porque as aulas de alguns professores ficam para sempre na memória dos alunos.
Profissão Mestre - Qual é a importância de ministrar aulas com emoção Por que e necessário alcançar a mente do aluno pelo caminho do coração
Celso Antunes - O professor não deve, necessariamente, estar emocionado. Não se trata, como se poderia a primeira vista pensar, que ele deve ser um ator onde externa sentimentos de aguda emoção. Se ele os externar, sem duvida ajuda, mas não é nesse aspecto que o educar, através da emoção, se ressalta. O que se busca realçar e que toda aprendizagem significativa necessita, fundamentalmente, de cinco componentes na ação cognitiva do aluno, e um desses componentes é a emoção. Então a emoção, como os outros quatro paradigmas, e um dos fatores cruciais da aprendizagem. Isso não é um referencial desejável, e um componente essencial do processo de aprendizagem da criança, do adolescente e do ser humano de maneira geral.
PM - Alem da emoção, quais são os outros componentes do processo de aprendizagem?
CA - A memória, indiscutivelmente. O professor deve conhecer estratégias para poder trabalhar a memória do aluno, claro que não uma memória mecânica, repetitiva, mas uma memória onde o aluno contextualiza, onde o aluno associe saberes novos aos que naturalmente ele possui. Alem da memória, a atenção. Ele deve saber trabalhar a atenção do aluno, descobrir formulas para capta-la. E por fim a motivação desse aluno é fundamentalmente a linguagem. Então, esses quatro mais a emoção são componentes estruturais do processo de aprendizagem.
PM - O que é uma boa aula?
CA - Uma boa aula é aquela que contempla a intensidade com que esses elementos sejam trabalhados. Fazendo uma comparação com o quadro educativo e o quadro médico, o que seria um paciente com uma boa saúde? Seria um paciente que realmente não apresentaria, em nenhum aspecto da sua condição biológica, qualquer tipo de deficiência. Uma boa aula é aquela que, no seu aspecto cognitivo, não apresenta nenhuma deficiência desses cinco componentes.
PM - Por que as aulas de alguns professores são mais sedutoras do que outras?
CA - Há uma infinidades de razões, mas em linhas gerais, o que tenho observado e que a estratégia através da qual a aula é ministrada é um componente muito importante. A maior parte dos professores brasileiros, infelizmente, confunde aula com aula expositiva, e a aula expositiva e apenas uma maneira de dar aula. Sabendo ser colocada pode ser excelente, mas e obvio que se o professor conhece apenas essas estratégias e em todas as circunstancias a utiliza, e impossível que ele possa escapar da monotonia. É como o mecânico que precisa conhecer diferentes ferramentas porque a natureza do trabalho dele vai exigir em situações diferentes a oportunidade de uso diversificado e isso também ocorre com o professor. A ferramenta do professor é a aula, mas se ele tem apenas a aula expositiva como ferramenta muitas vezes isso é fator de monotonia, por isso as vezes o aluno tem um grau de motivação na primeira aula do dia que não apresenta no final do dia e assim por diante, porque ha uma repetitividade de conceito nesse processo.
PM - E como o professor pode tornar a aula mais sedutora?
CA - Uma das outras formas de dar aula que ele poderá desenvolver, além da aula expositiva, e trabalhar projetos. Por exemplo, os projetos na verdade parte de um desafio, de situações problemas e os alunos são orientados a buscar caminhos e respostas, interagindo entre si nessa busca, que naturalmente é mediada pelo professor. Outras alternativa são os chamados jogos operatórios onde a situação problema é colocada de uma maneira similar a um desafio, mas que envolve diferentes estratégias para esse alcance. Quando o professor é um arquiteto de desafios , quando ele é um propositor de problemas. Quando ele leva o aluno a se perguntar, a se educar, a dizer não a si mesmo, geralmente ele é um professor muito bem aceito e a aula acaba sendo uma daquelas aulas memoráveis que efetivamente seduz o aluno.
PM - Em um dos seus artigos o senhor cita o jogo de palavras. Como o professor pode utilizar esse método em sala de aula?
CA - De uma maneira muito simplificada, se eu disser a você: "Amanhã eu não vou passear porque vai chover", eu estou concluindo essa afirmação sem propor nenhum desafio, ela é apenas uma informação que você assimilará, mas se eu alterno a ordem das palavras e digo algo como "Passear amanhã chover se vou não", para que você, juntamente com seus colegas estruture e de ordem, portanto de sentido a essas palavras aparentemente soltas mas que integram um todo, você esta se reperguntando, você está desafiando. Então a essência do jogo de palavras e a proposição de desafios, de questões que levam o aluno a construir soluções e respostas. Ele dispõe de palavras, mais ou menos, como quem tem peças de um quebra-cabeça não devidamente montado, só que essas peças são naturalmente palavras que vão compor a sentença, mas que ele construirá.
PM - Então, nesse tipo de aula, o professor é um facilitador...
CA - O professor verdadeiramente educador é sempre um mediador e nesse tipo de aula ele é efetivamente o mediador. Ele levou a situação problema, instrumentalizou os alunos para buscarem a resposta. Esses alunos sabem de quais instrumentos dispõe. Mas realmente ele esta atuando como um desafiador, como um verdadeiro arquiteto de desafios. Nesse contexto a aula acaba se tornando naturalmente mais atraente, mais interessante.
PM - O professor busca ministrar aulas menos cansativas para os alunos. E como ele pode fazer para não cansar-se também?
CA - Na verdade, embora o objetivo de se trabalhar em projetos, trabalhar com jogos operatórios seja o lugar porque, na medida em que ele é um propositor de desafios, diminui muito a carga verbalizadora dele. Não vai em cinco aulas fazer cinco discursos. Em segundo lugar, na medida em que ele dispos aquele aluno num esquema de motivação, de interesse, de participação, ele não tem aquele desgaste de cobrar uma atenção, de impor uma rigidez e nem perceber, no desanimo do aluno, quase que um convite ao seu tédio também. O professor que trabalha assim chegara a noite cansado tão somente pelas horas que ficou em pé, mas não existe aquele cansaço de uma irritabilidade provocada pela tentativa de construir a força uma tensão que espontaneamente não se tem.
PM - O professor deve apoiar-se naquelas lembranças do passado, de quando ele era aluno, para dar aulas mais contagiantes?
CA - Não deve. Até creio que é uma rotina mais ou menos comum, mas não deve. Eu respondo com uma metáfora: se hoje, com qualquer problema de natureza biológica, qualquer doença, procura um médico e ele diz "olha eu vou tratar você como o meu avô médico me tratou", você sai correndo desse consultório porque a medicina evoluiu muito, a farmacologia teve um progresso absolutamente espetacular. Na educação, de forma alguma e diferente. O que se pensava sobre memória, o que se pensava sobre atenção, aula e motivação há 20, 30 anos é muito diferente do que se pensa hoje, então é obvio que se ele teve um professor extremamente talentoso, que se emocionava, assumir as qualidades dessa pessoa, com o que hoje se sabe, ele estaria fazendo a composição ideal. Voltando a metáfora, você ter no médico de hoje a paixão, o entusiasmo, o interesse por você, do médico de antigamente mas com a tecnologia da medicina de agora, ai sim seria ideal. Mas aquela copia literal seria passar por cima de tudo quanto de novo se descobriu.
PM - O que nunca vai deixar de ser antigo na sala de aula?
CA-? Nunca será antigo o professor não responder o que o aluno pode por si mesmo descobrir. Isso sempre será uma estratégia extremamente significativa. O professor nunca pode pensar-se assassino da curiosidade respondendo aquilo que o aluno pode sozinho descobrir, mas também, ao lado disso, nunca será antigo numa sala de aula o entusiasmo, paixão pelo que se faz, percepção do progresso do aluno e entusiasmo por esse progresso. Isso nunca envelhecera, indiscutivelmente.
PM - As lembranças da escola influenciam o aluno na vida adulta?
CA - Ele carrega essas lembranças de uma maneira muito forte e mesmo quando pensa que não está as carregando, as vezes na maneira como ele segura uma caneta, como se dirige aos colegas, ele pode não ter consciência da lembrança, mas por detrás desses atos sempre está um professor, está uma aula, está um texto que ele leu. As marcas e as lembranças da escola são extremamente fortes e poucas vezes temos plena consciência disso mas, incontestavelmente, esses professores estão sempre atrás daquilo que fazemos. Portanto, nega-la e como você negar a importância da memória na aprendizagem ou negar a importância da linguagem, ou mesmo da motivação, ou ainda da atenção.
PM - Muito se discute a influencia do professor sobre o aluno. E a influência do aluno sobre o professor?
CA - Esse é um dos campos mais novos da educação.Um pensador chileno, que está realmente em evidencia, Humberto Maturana, sempre dizia que havia referencias e cuidados com respeito a influencia do professor sobre o aluno, mas que na verdade, seres humanos são interdependentes, e da mesma maneira como num conceito, eu diria, até ecológico, que o solo depende da planta mas a planta também depende do solo. É muito difícil perceber que possa existir um e outro sem interação. Um modifica o outro, e isso é absolutamente verdadeiro em relação ao aluno para o professor. Isso não significa dizer que essa imagem esteja consciente, mas é obvio que, na maneira como somos, aquele professor que evolui o faz por forças das marcas e dos registros daquele envolvimento que ele teve com os alunos, e essa relação hoje é muito forte, muito recíproca e não é a toa que Maturana é um biólogo, porque ele tirou esse conceito da própria biologia, onde no ecossistema, A depende de B e B depende de A. E o próprio Paulo Freire já dizia isso também. É uma troca.
PM - Quais são as principais barreiras no processo do aprendizado?
CA - A principal barreira no processo do processo de aprendizagem é o professor ainda acreditar-se proprietário de um saber, cuja finalidade é transmitir aos alunos, esquecendo de identificar que esse saber se banalizou, que hoje é o encontro na Internet, que hoje eu vivo num mundo onde há múltiplos canais de televisão. Um material escolar, de maneira geral, é muito bem formado, então aquele professor repetidor de saberes, tem para cada aula aquele tema e aquela pílula, e realmente acaba sendo um professor muito pouco sedutor. Portanto ele está impondo uma barreira imensa na aprendizagem, porque está indo na contramão daquilo que realmente o aluno precisa para crescer.
PM - Para que o aluno realmente aprenda, o senhor afirma que é necessário que ele tenha liberdade interna. O que quer dizer?
CA - Ele é o agente essencial no processo de construção do seu saber. O saber não é algo que venha de fora, a aprendizagem se constrói com aquilo que eu sei e com aquilo que é colocado em relação ao meu ambiente. Então, na verdade, essa liberdade é no sentido de fazer com que o saber que o professor transmite, não pode pretender que seja o saber que o aluno adquire. Aquele saber se transforma com os saberes que o aluno tem, então, isso significa a liberdade. Cada aprendente precisa ser livre para aprender, porque ele é o agente construtor da sua própria maneira de aprender e dos próprios saberes que constrói.
PM - Para que o aluno realmente aprenda, o senhor afirma que é necessário que ele tenha liberdade interna. O que quer dizer?
CA - Ele é o agente essencial no processo de construção do seu saber. O saber não é algo que venha de fora, a aprendizagem se constrói com aquilo que eu sei e com aquilo que é colocado em relação ao meu ambiente. Então, na verdade, essa liberdade é no sentido de fazer com que o saber que o professor transmite, não pode pretender que seja o saber que o aluno adquire. Aquele saber se transforma com os saberes que o aluno tem, então, isso significa a liberdade. Cada aprendente precisa ser livre para aprender, porque ele é o agente construtor da sua própria maneira de aprender e dos próprios saberes que constrói.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
ENSINANDO A VIVER
De repente, no meio da aula, algum aluno se levantava e, sem pedir licença, toma para si o material escolar do colega. A cena se repete muitas vezes, assim como as agressões verbais e os episódios de bullying. Esta situação, vivida pela professora de Português Eloisa Menezes Pereira, de Porto Alegre (RS), acontece com frequência em escolas de todo o Pais. Então, para reverter esta realidade e contribuir para a construção de uma sociedade com pessoas de bem, muitos professores estão incluindo em seus planos de aula atividades relacionadas a relevância do respeito e da solidariedade. Segundo os docentes, a iniciativa traz benefícios para o ensino.
Para tentar mudar o clima em sala, Eloisa pensou em uma maneira divertida e instigante de ensinar para a garotada a importância da pratica desses dois valores. Ela propôs um desafio a Turma 53 da 6º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Almirante Alvaro Alberto da Motta e Silva: produzir um livro sobre os cinco sentidos, tema que ajudaria o grupo a refletir sobre as atitudes negativas repetidas dia apos dia em sala de aula. Eles toparam a ideia e, em menos de quatro meses, não apenas finalizaram a publicação, lançada no fim do ano, mas conseguiram construir um ambiente mais harmonioso na classe. Era uma turma que apresentava muitos problemas. Então, pensei em trabalhar os sentidos, para que eles se conscientizassem que a mão, por exemplo, não e para bater no colega da frente, conta a educadora, ressaltando que a melhor maneira de introduzir a discussão sobre valores dentro escola e partir da historia de vida de cada aluno, assim como do ambiente em que vivem.
Neste caso, os 28 integrantes da turma, com idades entre 11 e 14 anos, moram na periferia da cidade, na Vila Cruzeiro, área carente da capital, marcada por diversos problemas sociais, inclusive a violência. Não é a toa, que nos textos e desenhos produzidos pelos alunos para o livro "Brincando com os sentidos (e-book lançado pela editora Plus), há relatos sobre pessoas solitárias que encontraram a felicidade a partir de um carinho ou de um olhar amoroso. O aluno é muito acessível e, com raríssimas exceções, novos olhares podem ser trabalhados em sala para desenvolver os valores, observa Eloisa.
Respeito e bom e todo mundo gosta
A opinião da professora de Porto Alegre encontra eco a mais de 4 mil quilômetros de distancia, em Fortaleza (CE). La, o professor de Historia Paulo Sergio Barros, da Escola Estadual de Ensino Médio e Fundamental Maria Jose Medeiros, lança mão de varias estratégias para formar pessoas de bem. Tudo conectado com a subjetividade, o currículo e as práticas socioculturais dos estudantes, detalha. No ano em que se comemorava os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ele propôs aos seus 105 alunos da 9º ano que elaborassem uma carta de princípios próprios.
Paulo alerta para o fato de que, seja qual for a maneira escolhida para discutir o assunto na aula, é fundamental que o professor seja exemplo para a turma.Falar de valores como respeito é bom, mas será inócuo se aquele que fala não pratica. Ele também acredita que, embora o assunto precise ser trabalhado em sala e de uma forma cotidiana e consistente, a educação de valores deve, na verdade, começar em casa, ainda que vários pais se mostrem despreparados para isso. Muitas crianças chegam a escola com comportamentos lamentáveis. E quando conversamos com a família ficamos sabendo das condições sociais e morais em que eles nasceram e vivem.
Por outro lado, Paulo também ve falhas na atuações das instituições de ensino. Poucos gestores e professores estão comprometidos com uma educação holística, humanitária, critica o professor, resumindo que a responsabilidade de formar pessoas de bem e, na verdade, de todos família, escola e da sociedade de uma maneira geral.
O docente ainda e responsável, no Norte e Nordeste, pelo Programa Vivendo Valores na Educação (VIVE) iniciativa coordenada pela Alive, associação presente em mais de 80 países com o objetivo de propagar valores humanos e estímulos ao desenvolvimento espiritual e profissional de seus integrantes. No Brasil, o programa e desenvolvido pelo Instituto Vivendo Valores (www.vivendovalores.org.br).
Outras estratégias
Para os professores que já desenvolvem atividades relacionadas a educação de valores, ou mesmo para quem deseja começar agora, mais sugestões não faltam. Eloisa, por exemplo, propõe que o docente liste e comente atitudes de desrespeito menos triviais, criando regras em colaboração com a turma e expondo o resultado da discussão em cartazes afixados na classe. Em relação a solidariedade, ela cita abordar o assunto estimulando o empréstimo de material, a ajuda aos colegas em dificuldades e a cooperação na limpeza da sala.
Já Paulo Sergio enumera uma serie de atividades que podem ser realizadas ao longo do ano e que poder?o gerar mudanças no comportamento dos alunos: oficinas, pesquisas, campanhas, projetos e técnicas de relaxamento. Ele, por exemplo, detectou uma melhor convivência dos estudantes com a diversidade e mais respeito (a si próprio e pelo outro). Alem disso, a disciplina em sala também melhorou. ?Eles escutam melhor o professor e sabem apreciar o que o colega diz.
Eloisa também sentiu uma melhora no comportamento dos alunos, com a redução dos casos de bullying, e observa que, independentemente dos resultados no caso dos alunos mais velhos, que já trazem hábitos negativos arraigados, e preciso ?investir, acreditar, implantar?. Paulo tem pensamento semelhante. Para ele, seja qual for o nível de ensino, e essencial que a formação de valores passe, principalmente, pelo incentivo ao respeito.
Reportagem divulgada na revista Profissão Mestre de abril de 2010.
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