sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

ENSINANDO A VIVER

De repente, no meio da aula, algum aluno se levantava e, sem pedir licença, toma para si o material escolar do colega. A cena se repete muitas vezes, assim como as agressões verbais e os episódios de bullying. Esta situação, vivida pela professora de Português Eloisa Menezes Pereira, de Porto Alegre (RS), acontece com frequência em escolas de todo o Pais. Então, para reverter esta realidade e contribuir para a construção de uma sociedade com pessoas de bem, muitos professores estão incluindo em seus planos de aula atividades relacionadas a relevância do respeito e da solidariedade. Segundo os docentes, a iniciativa traz benefícios para o ensino. Para tentar mudar o clima em sala, Eloisa pensou em uma maneira divertida e instigante de ensinar para a garotada a importância da pratica desses dois valores. Ela propôs um desafio a Turma 53 da 6º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Almirante Alvaro Alberto da Motta e Silva: produzir um livro sobre os cinco sentidos, tema que ajudaria o grupo a refletir sobre as atitudes negativas repetidas dia apos dia em sala de aula. Eles toparam a ideia e, em menos de quatro meses, não apenas finalizaram a publicação, lançada no fim do ano, mas conseguiram construir um ambiente mais harmonioso na classe. Era uma turma que apresentava muitos problemas. Então, pensei em trabalhar os sentidos, para que eles se conscientizassem que a mão, por exemplo, não e para bater no colega da frente, conta a educadora, ressaltando que a melhor maneira de introduzir a discussão sobre valores dentro escola e partir da historia de vida de cada aluno, assim como do ambiente em que vivem. Neste caso, os 28 integrantes da turma, com idades entre 11 e 14 anos, moram na periferia da cidade, na Vila Cruzeiro, área carente da capital, marcada por diversos problemas sociais, inclusive a violência. Não é a toa, que nos textos e desenhos produzidos pelos alunos para o livro "Brincando com os sentidos (e-book lançado pela editora Plus), há relatos sobre pessoas solitárias que encontraram a felicidade a partir de um carinho ou de um olhar amoroso. O aluno é muito acessível e, com raríssimas exceções, novos olhares podem ser trabalhados em sala para desenvolver os valores, observa Eloisa. Respeito e bom e todo mundo gosta A opinião da professora de Porto Alegre encontra eco a mais de 4 mil quilômetros de distancia, em Fortaleza (CE). La, o professor de Historia Paulo Sergio Barros, da Escola Estadual de Ensino Médio e Fundamental Maria Jose Medeiros, lança mão de varias estratégias para formar pessoas de bem. Tudo conectado com a subjetividade, o currículo e as práticas socioculturais dos estudantes, detalha. No ano em que se comemorava os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ele propôs aos seus 105 alunos da 9º ano que elaborassem uma carta de princípios próprios. Paulo alerta para o fato de que, seja qual for a maneira escolhida para discutir o assunto na aula, é fundamental que o professor seja exemplo para a turma.Falar de valores como respeito é bom, mas será inócuo se aquele que fala não pratica. Ele também acredita que, embora o assunto precise ser trabalhado em sala e de uma forma cotidiana e consistente, a educação de valores deve, na verdade, começar em casa, ainda que vários pais se mostrem despreparados para isso. Muitas crianças chegam a escola com comportamentos lamentáveis. E quando conversamos com a família ficamos sabendo das condições sociais e morais em que eles nasceram e vivem. Por outro lado, Paulo também ve falhas na atuações das instituições de ensino. Poucos gestores e professores estão comprometidos com uma educação holística, humanitária, critica o professor, resumindo que a responsabilidade de formar pessoas de bem e, na verdade, de todos família, escola e da sociedade de uma maneira geral. O docente ainda e responsável, no Norte e Nordeste, pelo Programa Vivendo Valores na Educação (VIVE) iniciativa coordenada pela Alive, associação presente em mais de 80 países com o objetivo de propagar valores humanos e estímulos ao desenvolvimento espiritual e profissional de seus integrantes. No Brasil, o programa e desenvolvido pelo Instituto Vivendo Valores (www.vivendovalores.org.br). Outras estratégias Para os professores que já desenvolvem atividades relacionadas a educação de valores, ou mesmo para quem deseja começar agora, mais sugestões não faltam. Eloisa, por exemplo, propõe que o docente liste e comente atitudes de desrespeito menos triviais, criando regras em colaboração com a turma e expondo o resultado da discussão em cartazes afixados na classe. Em relação a solidariedade, ela cita abordar o assunto estimulando o empréstimo de material, a ajuda aos colegas em dificuldades e a cooperação na limpeza da sala. Já Paulo Sergio enumera uma serie de atividades que podem ser realizadas ao longo do ano e que poder?o gerar mudanças no comportamento dos alunos: oficinas, pesquisas, campanhas, projetos e técnicas de relaxamento. Ele, por exemplo, detectou uma melhor convivência dos estudantes com a diversidade e mais respeito (a si próprio e pelo outro). Alem disso, a disciplina em sala também melhorou. ?Eles escutam melhor o professor e sabem apreciar o que o colega diz. Eloisa também sentiu uma melhora no comportamento dos alunos, com a redução dos casos de bullying, e observa que, independentemente dos resultados no caso dos alunos mais velhos, que já trazem hábitos negativos arraigados, e preciso ?investir, acreditar, implantar?. Paulo tem pensamento semelhante. Para ele, seja qual for o nível de ensino, e essencial que a formação de valores passe, principalmente, pelo incentivo ao respeito. Reportagem divulgada na revista Profissão Mestre de abril de 2010.

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