domingo, 8 de agosto de 2010

“....O aluno não aprende “

Diante da queixa de que o aluno não aprende, é necessário, primeiro apreciar o que e quando o aluno não aprende, ao invés de taxa-lo sumariamente de “burro”, incompetente ou diagnosticá-lo com dificuldade de aprendizagem.
Além do mais é preciso admitir que mesmo em casos que este aluno apresente barreiras para aprendizagem, em sala de aula é sempre possível fazer alguma coisa, especialmente através da implementação de atividades diferenciadas e trabalhos em grupo.
Por outro lado as próprias queixas dos professores sobre as dificuldades dos alunos também devem ser interpretadas.Que pedido de ajuda,reconhecimento das dificuldades e despreparo denuncia , com sua queixa, este professor ? Não estará ele com a identificação e segregação dos alunos com dificuldade de aprendizagem, depositando aí a “doença”e o “e o ”distúrbio “ , a fim de manter a classe ideal Já testemunhei que turmas inteiras eram proclamadas como incompetentes para aprender, para as quais o professor requeria a sua exclusão e assim, não sobrava ninguém na sala de aula , vi também turmas alijadas dos seus alunos problemas.
Não estou descartando as barreiras de aprendizagem, porém essas são desencadeadas por fatores extras pedagógicos , mas são freqüentes em menor número do que se atribui ao fracasso escolar.
Uma das contribuições do construtivismo está em não desconsiderar o erro, fundamento da não aprendizagem, um quadro permanente, mas sim ve-lo como Sintoma, como noticia do momento do processo.
Podemos dizer que o professor que percebe “o aluno problema” como uma acusação da sua falta de competência ele logo o transfere para outro como os famosos “encaminhamentos”.
O que consiste afinal as barreiras de aprendizagem” os obstáculos são verdadeiros dispositivos de barragem, estancando seu fluxo numa determinada direção e desviando para outra .( Visca, J. Pisicopedagogia: novas contribuições .Rio de Janeiro.Nova Fronteira,1991) Existem obstáculos epistemofilicos, epitêmicos e funcionais.Farei um breve comentário sobre cada obstáculo.
Os obstáculos epistemofílicos impedem o amor pelo conhecimento, sobretudo na esfera afetiva, é o significado que tem o aprender para o sujeito.
Os obstáculos epistêmicos limitam o conhecimento através dos poucos recursos intelectuais ( estruturas cognitivas) que colocam a disposição do aluno, exemplo se propõem uma atividade que envolva o pensamento Operatório Formal mas o aluno só possui o pensamento Operatório Concreto.
Os obstáculos funcionais, se nos epistêmicos o aluno não dispõe dos recursos cognitivos de que precisa para aprender nos funcionais o aluno tem os recursos só que não faz o uso adequado para a situação de aprendizagem.
Existem outros fatores mas cabe ao professor ter a verdadeira sabedoria em querer repensar a sua prática para que esses obstáculos sejam superados e saia da condição de queixa para a condição de reflexão e mudança de atitude.

Revista Aprendizagem – 2009

Nenhum comentário:

Postar um comentário